
A vice-governadora do Estado, Jade Romero, foi às redes sociais, nesta sexta-feira, 20, anunciar que deixou o MDB, por onde foi eleita, em 2022, e embarcou na federação União Progressista.
A troca é, até aqui, a mais relevante desta janela partidária – prazo vai até próximo dia 3 -, pelo que pode significar para a oposição, liderada pelo pré-candidato a governador, Ciro Gomes (PSDB).

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Jade não decidiu de uma hora para outra. A vice-governadora deve ter conversado com as principais lideranças governistas – algumas, citadas por ela, no vídeo.
Não por conincidência, o anúncio foi feito um dia depois da reunião, no Palácio da Abolição, entre o governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), e integrantes da federação.
Isso significa que, vistos no conjunto, os movimentos dos últimos dias assegura que o União Brasil vai de Elmano nas eleições deste ano.
Jade não anunciaria a importante decisão se as tratativas não estivessem razoavelmente bem amarradas. Inclusive, quanto à formação da chapa majoritária a ser encabeçada por Elmano.
Dependência do PL
Voltando ao Ciro. Aqui já foi dito, mais de uma vez, que a candidatura do tucano depende do apoio de grandes partidos, a exemplo do União Brasil e PL.
Chegamos a avaliar, inclusive, que com as duas siglas ao lado do nanico PSDB, o ex-governador teria chances, com apenas um dos dois partidos seria risco e que sem nenhum deles seria aventura.
Sem o União Brasil, Ciro passará a depender, ainda mais, do PL – com um agravante: terá mais dificuldades de negar a pecha bolsonarista – uma das armas governistas contra o ex-aliado.
As conversas entre Ciro e PL estão pausadas. O tucano tem apoio da sigla em nível estadual, mas sofre resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Presidente nacional do PL Mulher, Michelle prefere o também pré-candidato Eduardo Girão (Novo).
Um dos principais grupos políticos do Congresso Nacional, a federação União Progressista integra o centrão. Deverá ter grande fatia do horário eleitoral no rádio e TV e um dos maiores repasses do fundo eleitoral.
Além da capilaridade política, tempo de propaganda e dinheiro são fundamentais em campanhas cada vez mais curtas.
Wagner e Roberto Cláudio
As complicações para a oposição não param por aí. A adesão do União ao projeto de reeleição de Elmano atinge, diretamente, os planos de Capitão Wagner e Roberto Cláudio.
Tanto o ex-deputado federal quanto o ex-prefeito de Fortaleza são citados para compor a chapa de oposição.
Wagner é presidente do União Brasil no Estado; na Capital, a agremiação é dirigida por Roberto Cláudio. Ambos passam a enfrentar incertezas.
Os desdobramentos podem chegar, inclusive, a deputados do PDT de saída do partido. Se antes havia animação política no grupo, a fragilização da pré-candidatura de Ciro pode ter efeito contrário.
Maioria
Em vias de ser oficializada pela Justiça Eleitoral, a federação União Progressista é formada pelo União Brasil e Partido Progressista (PP) e será presidida pelo deputado Moses Rodrigues.
Presidido pelo deputado federal AJ Albuquerque, o PP já estava na base aliada. O União Brasil elegeu quatro parlamentares – Fernanda Pessoa, Moses Rodrigues, Danilo Forte e Dayany do Capitão.
Danilo deixou o partido e Dayany, mulher de Wagner, faz oposição ao governo Elmano.
Ficaram, portanto, Moses, AJ e Fernanda – a maioria -, exatamente o trio que esteve com Elmano, nesta quinta-feira, no Abolição.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

