
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) está longe de ser unanimidade – com ele não tem meio-termo. Mas em um ponto, a maioria concorda: o tucano é obstinado.
A característica veio à tona, mais uma vez, nesta sexta-feira, 20. À jornalista Daniela Lima (UOL), o também ex-ministro disse o seguinte:

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“Estamos muito concentrados no Ceará, o quadro lá está consolidado, estamos construindo bem, mas estou me coçando olhando para o Brasil”.
A segunda parte da declaração de Ciro é a que mais importa nesta edição da Coluna.
De forma mais ou menos cifrada, o pré-candidato a governador do Ceará admite que ainda não acordou do sonho de ser presidente da República.
Essa percepção na fala de Ciro é reforçada pelo “mas”, que separa, em contraste, nas palavras dele, a consolidação do quadro cearense do olhar nacional.
Mais dúvidas do que certezas
Ciro pode estar certo. Estamos em março – em plena janela partidária. Até aqui, há mais dúvidas do que certezas no panorama de disputa pelo Palácio do Planalto.
Hora antes da rápida entrevista com Daniela, Ciro esteve com os também tucanos de plumagem lustrosa Tasso Jereissati e Aécio Neves.
Um dos pontos da conversa do trio, ocorrida em São Paulo, foi, justamente, inefinições da corrida presidencial.
Experientes, os ex-governadores acreditam que os escândalos que atormentam Brasília – Banco Master, INSS e orçamento secreto, entre outros -, têm potencial de mudar os rumos da sucessão.
A guerra no Oriente Médio, que impacta preço de combustíveis em todo o mundo, tracionando a esteira do custo de vida -, também é importante variável.
‘Veja’ e ‘IstoÉ’
As edições das revistas ‘Veja’ e ‘IstoÉ’ – ainda relevantes em leituras sobre a disputa pelo poder no País -, deste final de semana trazem boas abordagens sobre a pauta.
‘Veja’ destaca os esforços políticos do presidente Lula (PT) – deverá tentar um quarto mandato -, e do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) para moderarem o discurso e, com isso, atraírem o centrão.
Já a ‘IstoÉ’ esmiuça a intrincada teia de interesses partidários, em vários estados, para concluir que a formação de palanques e escolha de candidatos a vice é um “jogo em aberto”.
O PSDB perdeu protagonismo nacional, justamente, depois da derrota de Aécio para Dilma Rousseff (PT), em 2014. De lá para cá, o partido tenta sobreviver enquanto força política.
Mas, como se sabe, o ciclo lulopetista está se fechando e a transição na direita, com Flávio empatando com Lula, deu-se de forma mais acelerada do que se supunha.
O tempo está passando. Para seguir alimentando o sonho presidencial, Ciro precisa muito mais do que se coçar: tem de decidir onde vai querer estar nos próximos anos.
Bom sábado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

