
Se a eleição para governador do Estado tivesse sido na semana passada, entre os dias 16 e 18, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao cargo, poderia ter sido eleito no primeiro turno.
É o que diz a primeira pesquisa de intenções de voto do Instituto Datafolha – contratada e divulgada, em primeira mão, pelo jornal O Povo, nesta segunda-feira, 23.

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No levantamento, Ciro aparece com 47% das intenções de voto; o atual governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), chega a 32%.
Eduardo Girão (Novo) tem 5% e Jarir Pereira (Psol) e Zé Batista (PSTU), 2% cada. Votos brancos e nulos alcançam 10% e outros 2% dos eleitores não souberam responder.
Confira aqui outros índices e aspectos da projeção do instituto paulista.
Votos válidos
Com 47% de intenções nominais, na simulação estimulada, Ciro poderia ter ultrapassado a barreira de metade mais um dos votos válidos.
A margem de erro é de mais ou menos três pontos percentuais.
É difícil cravar, porém, algum índice para o tucano, já que o cálculo envolve, além da exclusão de brancos e nulos, a taxa de abstenção eleitoral – quem não vai votar.
Em 2024, o Ceará teve o menor índice do País de eleitores que não compareceram às sessões eleitorais: 14,21%.
Pois bem. Como as eleições só serão em 4 de outubro – daqui a 28 semanas – até lá, serão quase 200 dias -, então cabem algumas considerações.
54% estão indecisos
Começando pela mais óbvia: estamos em março, na fase de pré-montagem de palanques. Ninguém sabe, ao certo, quem, efetivamente, será candidato a governador.
Outro dado relevante: na simulação espontânea, mais da metade dos entrevistados (54%) dizem não saber em quem vão votar. O processo apenas começou.
Para os que acompanham a Coluna, pouparemos-lhes da repetição de cenários e variáveis que podem mudar quase tudo – de coligações e troca-troca partidários ao panorama nacional.
Mesmo assim, é justo afirmar que a pesquisa desta segunda-feira, 23, é animadora para a oposição. Por baixo, trata-se de um instituto de pesquisa com reputação acima da média.
Os dados devem pressionar Ciro a disputar o Palácio da Abolição, em detrimento do que poderá se formar no horizonte na disputa presidencial – sonho que o tucano não esconde de ninguém.
Aprovação, dependência e rejeição
O segundo ponto é a dependência da oposição em relação a Ciro. Quando o pré-candidato do PSDB é substituído por Roberto Cláudio (União Brasil), Elmano sobe dez pontos percentuais: de 32% para 42%.
Uma das explicações pode ser a taxa de rejeição. O ex-prefeito de Fortaleza está com 23%, sete pontos acima de Ciro (16%) – embora Elmano apareça acima, com 28%.
É um patamar historicamente baixo para um governante exposto aos gargalos por que passa o Ceará – segundo o Datafolha, a criminalidade desponta, com 43%, seguida da saúde: 22%.
Em termos globais, o chefe do Executivo é aprovado por 60% dos entrevistados, dos quais 39% o consideram ótimo/bom.
O governador precisa, portanto, converter aprovação popular em intenção de voto, sob pena de o resultado das urnas descolar-se das entregas do governo. Já vimos isso acontecer.
Atenção: com 15 pontos percentuais de diferença – na média, 47% a 32% -, Ciro pontua melhor do que Elmano em todos os recortes da estratificação do Datafolha.
O Povo deve publicar, nesta terça-feira, 24, índices da disputa presidencial e da corrida ao Senado – quando teremos o quadro mais completo.
Mas já dá para vislumbrar a lista de taferas da base aliada governista no modo eleição.
Registro
As entrevistas foram feitas nos dias 16, 17 e 18 últimos, com 816 entrevistados presenciais – pontos de fluxo -, em 35 municípios. O índice de confiança de 95%.
A sondagem está registrada sob os números CE-07925/2026 e BR-05068/2026.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

