
A disputa pela cadeira do presidente Lula (PT), via centro político nacional, ganhou novos contornos nos últimos dias – e deverá mexer com o panorama nacional.
Governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) recuou da intenção de deixar o Palácio Iguaçu. Motivo: desavenças com o pré-candidato à sucessão dele, senador Sérgio Moro (União Brasil).

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Em movimento contrário, o mineiro Romeu Zema (Novo) limpou as gavetas e entregou as chaves do Palácio Tiradentes ao aliado Mateus Simões (PSD).
Assim, o agora ex-governador confirma pretensões de entrar na disputa presidencial. Deve juntar-se a Zema o chefe do Executivo do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
Leite deve deixar o mandato até o limite do prazo da Justiça Eleitoral para desincompatibilização – sábado, 4 de abril.
O mineiro e o gaúcho fizeram boas gestões, em estados relevantes do País, mas são vistos, no momento, como lideranças regionais.
Somando-se isso ao recuo de Ratinho – então favorito de Gilberto Kassab, controlador nacional do PSB -, chegamos ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) – vai renunciar na próxima terça-feira, 31.
A disputa interna, no PSD, sempre foi entre Ratinho e Caiado. Leite e Zema são figurantes.
Agronegócio e Faria Lima
Caiado tem apoio explícito do agronegócio – locomotiva da economia nacional -, conta com simpatia do mercado financeiro e é linha dura contra a criminalidade – grande apelo eleitoral de 2026.
O médico goiano tem peso para agregar intenções de voto nas próximas pesquisas, com potencial de chegar a dois dígitos. Sem Ratinho, parte do eleitorado deve começar a enxergá-lo.
Isso pode significar mais desafios políticos, tanto para Lula quanto para o também pré-candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL).
Conforme noticiado nos últimos dias, Lula e Flávio tentam avançar sobre partidos do centrão – o ponto de equilíbrio político nacional -, com o objetivo de ampliar votação.
Padrinhos no Datafolha
O fatiamento da pesquisa Datafolha, publicada em dois capítulos – amanhã, teremos o terceiro, para o Senado -, prejudica a visão geral desta pré-fase da campanha eleitoral.
Vista no conjunto, podemos dizer que a liderança do pré-candidato a governador Ciro Gomes (PSDB) será pressionada pelo potencial de transferência de voto por Lula e Camilo Santana (PT).
O presidente e o ministro – deve deixar o MEC logo após a virada do mês -, são, disparados, os dois maiores cabos eleitorais do Ceará.
Lula e Camilo apoiam o governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).
Na outra ponta, a associação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB) pesa, negativamente.
Ciro tem o apoio de Tasso e busca apoio do PL de Bolsonaro.
Pode-se, assim, apontar, grosso modo, que a nacionalização da campanha eleitoral para governador do Ceará deverá beneficiar Elmano e prejudicar Ciro.
É isso, inclusive, com o que contam os palacianos para reverter, nos próximos meses, as intenções de voto pró-Ciro.
Já os ciristas reagem fortemente a influências do tipo.
Em meio à expectativa de um lado e apreensão do outro, o recado do Datafolha é simples: quem tem padrinho não morre pagão.
Registros
Publicadas pelo jornal O Povo, nesta terça-feria, 24, as entrevistas foram feitas nos dias 16, 17 e 18 últimos, com 816 entrevistados presenciais – pontos de fluxo -, em 35 municípios.
A margem de erro é de três pontos percentuais, para cima ou para baixo – o índice de confiança de 95%.
A sondagem estatística está registrada sob os números CE-07925/2026 e BR-05068/2026.

