
Quem conhece a cena brasiliense sabe muito bem as diferenças entre deputado federal e senador – vão muito além do mandato de oito anos e representação paritária de estados e Distrito Federal.
Nas atribuições privativas de senador entram aprovação de empréstimos, sabatinas e votações para tribunais superiores, agências reguladoras, representações diplomáticas e Banco Central.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Entre as funções estão, ainda, condução do processo de impeachtment do presidente da República e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – além de uma longa lista de mordomias.
O panorama explica, parcialmente, o jogo pesado pelas duas das três vagas em cada unidade da federação – inclusive, no Ceará – em 2026, tanto na base governista quanto entre opositores.
A lista testada
Por aqui, pelo recorte do último Datafolha, pelo menos nove pré-candidatos são citados para a disputa – outros três ou quatro ficaram de fora.
Foram testados, entre governistas, José Guimarães (PT), Eunício Oliveira (MDB), Júnior Mano (PSB) e Cid Gomes (PSB).
Pela oposição, foram apresentados os nomes de Capitão Wagner e Roberto Cláudio (os dois do União Brasil), Alcides Fernandes e Priscila Costa (ambos do PL) e General Theóphilo (Novo).
Pela média geral das análises, a tendência é que cada lado conquiste um dos dois assentos – até mesmo, independentemente, da corrida pelo governo do Estado. Não seria inédito.
Pelos índices do Datafolha, Cid (56%), Wagner (55% ou 53%), Eunício (37%), Roberto (39%) e Guimarães (29%) estão no páreo. O senador do PSB diz que não será candidato, mas há controvérsias.
A Coluna extraiu os dois melhores posicionados nas intenções de voto da pesquisa feita na semana passada. Wagner foi o único testado em dois cenários – lidera em ambos.
A nota de corte deixa de fora – mas sem excluí-los do jogo -, Mano (25%), Priscila (22), Alcides (19%) e Theóphilo (11%).
Disputas internas
Aqui o hipotético cenário começa a ficar animado, começando pelo seguinte: caso Cid seja candidato, será uma vaga para ele e a segunda para os demais.
Segundo ponto: Alcides contará com a capilaridade eleitoral do filho, deputado federal André Fernandes (PL), muito dinheiro e força política do bolsonarismo no Estado. Vai disputar parte dos votos de Wagner.
A propósito de Wagner, o ex-deputado federal e o ex-prefeito de Fortaleza precisam de mandato. Ambos vêm de expressivas derrotas.
Mais um resultado amargo nas urnas aumenta o risco de ocaso e perda de relevância política. Dependendo do andar da carruagem, valerá a pena apostar no tudo ou nada?
Outra questão: colegas de partido, Alcides e Priscila correm na mesma raia. A ex-primeira-dama e presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, apoia Priscila.
Na base governista, as incertezas não são menores. Guimarães e Eunício devem ir até o limite para tentar garantir candidatura e Mano segue sendo incógnita.
Sem mencionarmos nomes que não foram digitados nos questionários do Datafolha, a exemplo de Chiquinho Feitosa (Republicanos), Chagas Vieira (sem partido) e Domingos Filho (PSD).
Em resumo, a disputa dos dois lados ao Senado este ano no Ceará passa por disputas internas, muito antes do embate eleitoral com os adversários lá fora.
Para agravar um pouco mais, dos nove testados pelo Datafolha, seis estão em mandato: Cid, Eunício, Mano, Alcides, Guimarães e Priscila – quatro governistas e dois da oposição.
Só aí já são quatro os que correm o risco de ficar sem funções representativas eletivas, a partir de janeiro de 2027.
Isso, caso os já sem mandatos não cheguem lá. Nesse quesito, além de Wagner e Roberto, temos Theóphilo.
Mas isso, todos eles há sabem.
O jogo do poder é cheio de casos de políticos que chegam à Quaresma eleitos e ficam desempregados antes do Natal.
Bom feriado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

