
Não tinha momento pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista -, para o presidente Lula (PT) dizer que o ministro Camilo Santana (PT) “se precisar, será candidato”.
A fala ocorre na mesma semana em que duas pesquisas de intenção de voto colocam o pré-candidato Ciro Gomes (PSDB) dois dígitos à frente do governador Elmano de Freitas (PT).

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Camilo tem dito que o atual governador é pré-candidato à reeleição. Na cotação do dia, o senador licenciado será um dos coordenadores da campanha de Lula à reeleição.
Mas Camilo deixa a porta entreaberta, ao citar dinamismo da política, sacrifício pessoal em nome do projeto e, principalmente, deixar o MEC até a data limite para desincompatibilização.
Lula prioriza Planalto
O determinante, porém, será a disputa presidencial, para muito além do constrangimento político que uma eventual candidatura de Camilo possa impor ao atual governador.
Até independentemente do resultado eleitoral em alguns estados, Lula está de olho na transferência de votos de palanques locais fortes. No Ceará, não há dúvida de que esse aliado de peso é Camilo.
Para o pragmático presidente da República, o Ceará, assim como o Nordeste, entra na contabilidade eleitoral onde já estão São Paulo e Minhas Gerais. O mais é efeito colateral.
Lula e o governo do PT estão cansados e com desaprovação recorde. Estes e outros pontos entrarão na fila de votação de outubro e podem definir a corrida presidencial.
Mas o presidente, pré-candidato a mais quatro anos de mandato desde que foi eleito pela terceira vez, prefere puxar aliados para o sacrifício a fazer concessões.
Lula não tem sucessor. Mais cedo ou mais tarde, o PT ficará órfão. Isso diz muito sobre o que o presidente pensa sobre transição e alternância de poder.
Fator Cid Gomes
Uma possível candidatura de Camilo terá efeitos danosos na base de Elmano. O principal desafio será manter o senador Cid Gomes (PSB) no grupo.
Em repetidas ocasições, o ex-governador declarou apoio à reeleição de Elmano. Mas não há nada nesse sentido em relação ao também senador do PT.
Num cenário ruim, a saída de Cid da base de Elmano representará o vórtice de um redemoinho político, cujo efeito giratório devastador poderá mandar aos ares o projeto de poder petista no Estado.
Desse ponto de vista, o movimento de Lula em relação ao Ceará, escalando Camilo para o banco de reservas, é um erro político, que pode custar o controle do Palácio da Abolição.
Dutra x Tarso
Há exatos 24 anos – eleições de 2002 -, o PT do Rio Grande do Sul fez algo que o partido no Ceará parece querer repetir.
Então governador, Olívio Dutra (PT) teve o direito à reeleição negado pelo próprio partido. Em prévias apertadas, o escolhido foi Tarso Genro (PT).
A campanha eleitoral foi marcada por muito fogo amigo e guerrilhas fraticidas entre os dois grupos internos.
Resultado: Tarso foi para o segundo turno contra Germano Rigotto (MDB), que seria eleito governador.
#ficaadia
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

