
É clássica a percepção de que a política, no sentido negativo do termo, é um meio para se viabilizar, ampliar e proteger negócios. Há, claro, as honrosas exceções.
Algo nessa linha foi dito pelo presidente Lula (PT), nesta terça-feira, 31, durante boas-vidas aos novos ministros, que substituem os que saíram, para mergulhar na disputa eleitoral.

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“A política piorou e muito. Ainda tem gente séria, muita gente que faz Política com P maiúsculo, mas, em muitos casos, virou negócio”, sintetizou o petista.
O presidente tem razão. São cada vez mais raros os casos de espírito público – isso vale para o Executivo, Legislativo e Judiciário. A República virou um sepulcro moral.
Mas é inadequada a declaração de Lula. A não ser – e isso deve ser considerado -, que o pré-candidato tenha falado no modo reeleição, tentando se conectar com eleitores incautos – se ainda existirem.
Caso Lulinha
O presidente da República é pai de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, personagem que emergiu dos pântanos brasilienses, no âmbito das máfias do Banco Master e INSS.
Ao que consta nos autos, o filho de Lula era muito bem pago para facilitar acessos privilegiados a esquemas bilionários. É o que dizem a Polícia Federal e as investigações no Congresso Nacional.
É justo dizer que Lulinha não tem cargo eletivo, na estrita acepção do termo. Mas, dependendo das circunstâncias, isso é detalhe – às vezes, impeditivo.
O filho do presidente, que vê mistura de política com negócios, relacionou-se com lobistas e se comportou como tal. Dá-se, por óbvio, o benefício da dúvida e a garantia do processo legal.
Em todo o caso, por mais que quisesse encorajar os ministros entrantes a fazer Política com P maiúsculo, como ressaltou, Lula não deveria ter falado sobre corda em casa de enforcado.
Janela partidária
Comentários rápidos sobre o troca-troca partidário. Primeiro: o prazo vai até Sábado de Aleluia, 4. É dia de malhar Judas, o traidor.
A propósito de sentimentos não nobres, os bastidores estão encharcados de impropérios entre políticos. A janela partidária virou um pote de mágoas.
Outro ponto: como aqui dito várias vezes, o rearranjo entre listas de filiados vai bagunçar todas as projeções de “eleitos” na corrida proporcional. Printem.
Por último, também importante: a legalização da orgia partidária pela Justiça Eleitoral diz muito do pragmatismo e incoerência de nossos políticos.
FGs no dois a dois
A deputada estadual Lia Gomes (PSB) deixou a Secretaria Estadual das Mulheres e declarou apoio à reeleição de Elmano de Freitas (PT). Lá já está o senador Cid.
Na outra trincheira, segue Ciro Gomes (PSDB), provável candidato da oposição ao Palácio da Abolição. Ivo, o caçula, deve acompanhar o irmão mais velho.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

