
Sem entrar no julgamento da janela partidária, concluída neste final de semana, a intensa movimentação partidária acabou refletindo a atual lógica política do Ceará.
Cálculos ainda não finalizados – sempre há surpresas depois do prazo -, já apontam que o troca-troca atingiu mais de um terço das bancadas, tanto estadual quanto federal.

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Isso, sem considerar quem não está em mandato, que, dependendo do destino de alguns personagens, decidiu ir para esta ou aquela sigla.
PSDB e PSB saíram da janela com saldos largamente positivos, ao contrário de MDB e PT; PDT e União Brasil foram esvaziados; Republicanos e PL cresceram; PSD e Progressistas avançaram, discretamente.
PSDB e PSB avançam
Entre os partidos ganhadores de filiados com mandato, salta à vista o PSDB, presidido no Estado pelo ex-ministro Ciro Gomes – provável candidato a governador.
Os motivos são claros: a expectativa de poder no Ceará, a partir de janeiro de 2027 – de preferência, com mandato na base governista.
A engorda do PSDB foi estadual, com seis nomes. Nenhum federal, o que revela desafio para o projeto de renascimento do tucanato no Congresso Nacional.
Depois vem o PSB, liderado pelo senador Cid Gomes, principal aliado do PT no projeto de reeleição ao atual governador, Elmano de Freitas (PT). Foram dois federais e dois estaduais.
A intensa movimentação de Cid mostra que o senador não jogou parado, enquanto adversários e aliados políticos iam às compras.
Luizianne e Jade
A saída de Luizianne Lins do PT foi o destaque da janela de 2026. A ex-prefeita de Fortaleza leva a maioria de seus votos, nominais e pouco dependentes da sombra do governo.
O retorno da ex-governadora Jade ao PT não estanca a sangria provocada por Luizianne. São votos diferentes e não alivia a pressão petista para seguir com três cadeiras federais.
Entre os perdedores estão PT e MDB – principalmente, pela representatividade das saintes. Com exceção de Jade, ninguém quis ir ou voltar ao PT – pelo contrário. O partido perdeu Juliana Lucena (PDT).
O fenômeno mostra que o PT, apelidado nos bastidores de MDB da esquerda, atingiu o inchaço máximo no Estado.
O MDB de Eunício Oliveira segue a sina de ex-grandes partidos, assim como o PDT. Ambos terão dificuldades de formar bancadas expressivas no Ceará e em Brasília.
Impactos eleitorais
A nova reconfiguração vai impactar, diretamente, a formação das chapas proporcionais e, indiretamente, as majoritárias.
Forças internas serão redistribuídas. Tem gente que chega com muitos votos, há os que apostaram alto e os buchas eleitorais – cabos eleitorais de luxo.
Lembrando que as revoadas não mexem no tempo de propaganda e fundo eleitoral – estes cálculos serão feitos com base nas bancadas federais eleitas em 2022.
Ainda não está claro, mas muitos acertaram e vários outros erraram na troca partidária. O instinto nem sempre aponta na direção que garante a sobrevivência.
O certo é que muitos se mexeram para não sair do lugar, apesar dos cada vez mais altos índices de renovação dos parlamentos.
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

