
A semana política chega ao fim com forte expectativa sobre a sucessão presidencial, cujos reflexos podem mudar o tabuleiro estadual.
Na última segunda-feira, 7, reunimos aqui alguns fatores que, no conjunto, podem culminar com a desistência do presidente Lula (PT) à tentativa de reeleição.

Quem é Erivaldo Carvalho
Siga o Poder News no Instagram
Lá pelas tantas, foi dito o seguinte: “Aqui temos dois líderes políticos de projeção nacional: os ex-ministros de Lula e ex-governadores Camilo Santana (PT) e Ciro Gomes (PSDB)”.
E arrematamos: “Não é difícil projetar o que poderia acontecer, caso Lula não seja candidato em outubro.”
Pois bem. A hipótese da aposentadoria política do presidente da República em 2026, já admita dentro e fora do governo, seria o maior cavalo de pau da corrida presidencial das últimas décadas.
Camilo e Haddad
Indo direto ao ponto: Camilo e o também ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) – não, exatamente, nessa ordem -, seriam as principais opções.
Haddad tem mais recall, é paulista e passaria mais facilmente pelo crivo do PT nacional. Mas, exatamente por isso, o ex-chefe da Fazenda carrega o fardo mais pesado do desgaste lulista.
Já Camilo é visto, nacionalmente, como nome sangue novo. Apenas nos últimos três anos e meio passou a ter a foto em paredes do MEC, em Brasília, e nas respectivas repartições estaduais.
O cearense ainda leva vantagem extra sobre o paulita pela possibilidade de se transformar em espécie de barreira de contenção dos votos petistas no Nordeste.
Camilo alçar voos mais altos não é, exatamente, uma novidade. Em dezembro de 2024 – há um ano e meio -, a Coluna abordou aspectos do hipotético cenário.
Se o PT chegar a essa encruzilhada, o Estado de São Paulo, onde está alistado um em cada cinco votos do País, será o fiel da balança. Lá, o ex-prefeito da Capital é o mais competitivo.
Peso sobre Ciro Gomes
A eventual desistência de Lula em se candidatar a um quarto mandato mexeria, profundamente, com a sucessão estadual no Ceará.
Arquirrival no Estado do grupo liderado por Camilo, Ciro é pré-candidato ao governo do Estado como parte da estratégia de se viabilizar, nacionalmente.
Sem Lula, aumenta a aposta de que Ciro entre na disputa, onde já estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).
Estamos em abril, a três meses do prazo das convenções partidárias. O ex-ministro disse, nos últimos dias, que até o fim deste mês define o rumo dele nas eleições de outubro.
O PSDB de Tasso Jereissati e Aécio Neves acompanham de perto os desdobramentos no quadro geral de pré-candidaturas.
O senador Cid Gomes (PSB), apoiador do governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), tem defendido o retorno do irmão ao circuito presidencial.
Sem Ciro governamentável, abre-se uma larga e pavimentada rodovia eleitoral para a reeleição de Elmano. Todos sabem disso.
Ciro não esconde o sonho de ser presidente da República. Para ele, como diz o ditado popular, sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho.
O fato é que as janelas partidárias ficaram para trás, mas portas de oportunidade política podem estar sendo destrancadas somente a partir de agora.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

