
Principal notícia política desta terça-feira, 14, o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pela CPI do Crime Organizado afeta o já desgastado governo Lula.
Alexandre de Moraes é alvo de pedido de indiciamento devido a contratos de prestação de serviços mantidos pelo escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.

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Dias Toffoli teria proferido julgamentos em situação de suspeição objetiva – transação financeira em sociedade dele com fundo ligado ao Master. Continua depois da publicidade
Gilmar Mendes é acusado de proceder de modo incompatível com o decoro do cargo por anular decisões de quebra de sigilo aprovadas pelo colegiado da CPI.
Aqui vão pelo menos três motivos, independentemente do mérito da decisão do relator Alessandro Vieira (MDB-SE).
Primeiro: o STF é visto como espécie de aliado institucional do lulupetismo. Foi graças a decisões da Suprema Corte que processos contra Lula foram invalidados, permitindo a volta do petista ao poder.
Na média da opinião pública nacional, há clara associação entre os interesses do Palácio do Planalto e a cúpula do Judiciário. Crises de um alcançam o outro.
Segundo: coveiro da Lava Jato, o STF passou a ser visto como passador de pano em casos de corrupção. As máfias do Banco Master e INSS, que alcançam o filho de Lula, cristalizou ainda mais a percepção.
Por último: o Brasil sofre uma crise sistêmica. Lula é desaprovado pela maioria, o Congresso Nacional comete um vexame atrás do outro e o STF há muito tempo passou dos limites.
Em situações assim, a culpa sempre recai sobre políticos da situação. No caso concreto, sobre o presidente da República – é esse, inclusive, um dos motivos do desgaste lulista.
Nem estamos considerando as indicações dos três indiciados. Moraes é da lavra de Michel Temer; Gilmar chegou ao STF graças a Fernando Henrique Cardoso e Toffoli, esse sim, é filho político legítimo de Lula.
De sobra, eis mais duas razões para o relatório do senador Alessandro preocupar o governo: o próprio presidente Lula, antevendo que a situação poderia se compliar, afastou-se do Supremo.
Outra: como aqui já dito, virou peça de campanha eleitoral bater em ministros do STF. Ocorre que essa bandeira é totalmente da direita brasileira.
Último comentário: o desfecho da CPI com esse nível de gravidade a poucos meses da campanha eleitoral vai render muito, para além da aprovação – ou não -, do texto final e seus desdobramentos. Continua depois da publicidade
Bom dizer que a decisão do relator precisa passar no colegiado e, principalmente, pelo crivo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)
E para fechar a tempestade perfeita, na visão de oposicionistas, o ministro indicado por Jair Bolsonaro (PL), Nunes Marques, é o novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Emoção garantida.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

