
Na Coluna desta quarta-feira, 15, comentamos a encruzilhada política de Ciro Gomes (PSDB), a partir do convite de Aécio Neves para o ex-ministro disputar a sucessão do presidente Lula (PT)
Pré-candidato ao governo do Estado, Ciro, num primeiro momento, em Brasília, deixou a resposta em aberto. Horas depois, no Ceará, sinalizou que o projeto segue sendo o Palácio da Abolição.

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“Estou me preparando para conhecer os problemas do Ceará, estou quase pronto para, enfim, anunciar o resultado”, disse o tucano, durante posse de Roberto Cláudio na direção do União Brasil-Fortaleza. Continua depois da publicidade
E completou: “Eu não posso simples e puramente desertar da luta que eu venho construindo junto com muita gente no Ceará. Eu permaneço na luta”.
O aparente recuo de Ciro à tentação de concorrer à Presidência da República em prol do Ceará tem razões práticas. Vejamos algumas delas.
Ciro candidato a presidente iria mirar o voto nem-nem – quem vai votar em Lula porque não quer Flávio Bolsonaro (PL) e quem vai votar em Flávio porque não quer Lula.
Pesquisas indicam que o potencial de eleitores nem Lula nem Flávio pode passar de 80% – a soma das rejeições de ambos – apesar de sabermos que esse cálculo não é tão matemático assim.
Isso seria um grave problema para o PL, já que o antilulista Ciro iria tirar votos do petista e também do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No limite, a entrada de Ciro no plano nacional pode mexer com o resultado do primeiro turno, com graves repercussões no Ceará.
Tabuleiro local
Pelas motivos expostos acima, não é exagero avaliar que a simples possibilidade de Ciro considerar o convite do presidente nacional do PSDB mexeu com os brios do PL-CE.
O pré-candidato a governador tucano aguarda o destravamento das conversas com o partido do deputado federal André Fernandes.
Como cravado aqui várias vezes, Ciro depende da legenda, para chegar mais competitivo na campanha.
Para ficar mais animado. O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato a presidente, Romeu Zema (Novo) está sendo cotado para ser vice de Flávio.
No caso de o palanque PL-Novo ser consolidado, nacionalmente, aumentam as chances de os bolsonaristas-raiz no Ceará irem de Eduardo Girão, correligionário do mineiro. Continua depois da publicidade
Um desfecho do tipo, não de todo remoto, mudaria completamente a montagem do tabuleiro de 2026 no Estado, com reflexos diretos no resultado das urnas.
Tudo somado e considerado, quem deve estar gostando dessa história toda é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que defende o apoio do partido a Girão.
Ou seja e voltando ao título acima, Aécio, independentemente das intenções do convite, acabou criando problemas políticos para o colega Ciro.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

