
O basquete brasileiro perdeu um de seus maiores ícones. Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira, 17, aos 68 anos, em hospital de São Paulo.
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A morte de Oscar Schmidt encerra um capítulo fundamental do esporte nacional.
Exemplo de dedicação, técnica e patriotismo, o “Mão Santa” deixa um legado de superação que ultrapassa as quadras, sendo reverenciado por diversas gerações de fãs e atletas em todo o mundo.
O ex-atleta estava internado após apresentar um mal-estar, mas detalhes específicos sobre a causa do óbito ainda não foram divulgados pela família ou pela unidade médica.
Conhecido mundialmente como “Mão Santa”, Oscar enfrentou graves desafios de saúde na última década.
Entre 2013 e 2022, ele lutou contra dois tumores cerebrais, chegando a anunciar a alta do tratamento de quimioterapia ao final daquele período.
Recentemente, ele passou por uma cirurgia e foi homenageado no Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
A trajetória de Oscar é marcada por conquistas históricas, sendo a principal delas a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987.
Sob sua liderança, o Brasil impôs aos Estados Unidos a primeira derrota de sua história no basquete jogando em casa, em Indianápolis, quebrando a hegemonia norte-americana.
O ídolo também acumulou feitos impressionantes em Olimpíadas, participando de cinco edições consecutivas entre 1980 e 1996.
Nos Jogos de Seul-1988, ele registrou o recorde histórico de 55 pontos em uma única partida contra a Espanha, marca que permanece como uma das maiores do basquete olímpico.
Com mais de 49 mil pontos marcados ao longo da carreira, Oscar se tornou o maior pontuador da história do basquete mundial.
O número supera as marcas de grandes astros da NBA, consolidando sua posição como um dos atletas mais eficientes e longevos do esporte, tendo atuado profissionalmente até os 45 anos.
Um dos aspectos mais notáveis de sua biografia foi a decisão de não jogar na NBA, apesar de ter sido draftado pelo New Jersey Nets em 1984.
Oscar recusou a liga norte-americana porque, na época, as regras impediam que jogadores da liga profissional defendessem suas seleções nacionais, e sua prioridade era sempre vestir a camisa do Brasil.
Além da seleção, Oscar brilhou em clubes como Sírio e Flamengo, além de ter tido passagens marcantes por equipes da Itália e da Espanha.
No Sírio, ele conquistou o título mundial de clubes, enquanto na Europa sua capacidade de arremesso de longa distância o transformou em uma lenda internacional.
Carreira Política
Após consolidar sua carreira no basquete, Oscar Schmidt teve uma breve passagem pela vida pública.
Sua trajetória política começou em 1997, quando assumiu a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo na gestão de Celso Pitta. No ano seguinte, incentivado pelo ex-governador Paulo Maluf, o ex-atleta concorreu ao Senado Federal pelo PPB (atual PP).
Na disputa eleitoral de 1998, Oscar enfrentou o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) e, apesar de obter uma votação expressiva, acabou derrotado. O resultado marcou o fim de suas pretensões em cargos eletivos.
Após a incursão na política, o “Mão Santa” decidiu não retornar às urnas e passou a se dedicar ao mercado de palestras motivacionais e à atuação como treinador de basquete.
Anos depois, Oscar afirmou em entrevistas que não se arrependia da candidatura, mas descartou qualquer possibilidade de volta à política.
Segundo o ídolo, embora tivesse o sonho inicial de chegar à Presidência, ele desistiu da vida pública ao perceber que os bastidores do poder nem sempre seguiam os princípios éticos que recebeu de sua família.

