
Vídeos de negociações de veículos que viralizaram nas redes sociais reacenderam um alerta importante entre os consumidores: o custo real de um financiamento vai muito além das parcelas anunciadas.
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A discrepância entre o valor de tabela do bem e o montante final pago revela o peso de taxas e encargos que, muitas vezes, passam despercebidos no momento da compra.
O principal indicador desse cenário é o Custo Efetivo Total (CET).
Diferente da taxa de juros nominal, o CET representa o custo real da operação, consolidando em um único percentual anual todos os encargos, tributos e despesas administrativas incidentes sobre o crédito, seja ele para veículos, imóveis ou empréstimos pessoais.
No cálculo do CET entram, além dos juros, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tarifas de cadastro e seguros, como o prestamista.
Embora os juros concentrem a maior fatia da dívida, pequenas variações em taxas acessórias e seguros podem elevar drasticamente o valor total a ser desembolsado pelo cliente ao longo dos anos.
Por determinação do Banco Central, todas as instituições financeiras são obrigadas a informar o CET de forma clara antes da assinatura do contrato.
Essa transparência é essencial para permitir que o consumidor compare diferentes ofertas e entenda o peso real de cada tarifa no valor final da dívida, evitando surpresas no orçamento.
Especialistas alertam que focar apenas no valor da parcela pode ser uma armadilha financeira.
Em simulações práticas, taxas de juros que parecem baixas podem saltar de 12% para mais de 40% ao ano quando todos os custos do CET são incluídos.
A regra de ouro é comparar sempre o montante total que será devolvido ao banco ao final do plano.
O debate ganha relevância diante do atual cenário econômico brasileiro.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), cerca de 80,4% das famílias possuem dívidas a vencer, o maior nível da série histórica.
Mesmo com a tendência de queda na taxa Selic, o custo do crédito permanece elevado, pressionando o planejamento das famílias.
No campo jurídico, a falta de clareza sobre o CET ou a inclusão de serviços sem o consentimento do cliente — a chamada venda casada — podem configurar práticas abusivas.
Embora não exista um teto fixo legal para os juros, taxas excessivamente acima da média de mercado podem ser questionadas na Justiça para revisão do contrato.
A recomendação central para o consumidor é a cautela e a pesquisa minuciosa.
Antes de assumir um compromisso de longo prazo, é fundamental exigir a planilha detalhada do financiamento e avaliar se o custo total da operação justifica a aquisição, priorizando sempre a saúde financeira e a sustentabilidade da renda familiar.

