
A tramitação da proposta que extingue a escala 6×1 entrou em uma fase de intensas negociações na Câmara dos Deputados.
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Após o aval da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira, 22, a oposição passou a condicionar o avanço da medida à apresentação de contrapartidas financeiras ao setor produtivo.
O líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o governo federal precisará oferecer compensações robustas para viabilizar o projeto.
Segundo o parlamentar, a proposta enfrentará forte resistência se o Executivo não apresentar mecanismos que aliviem os custos operacionais das empresas.
O próximo passo formal é a instalação de uma comissão especial pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O colegiado será o ambiente central para o debate sobre o mérito da proposta, permitindo que deputados sugiram modificações no texto original antes da votação em plenário.
Entre as alterações articuladas pela ala de oposição está a inclusão do pagamento por hora trabalhada.
O modelo é defendido por setores liberais e pelo pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo), que veem na medida uma forma de flexibilizar a adaptação do mercado à nova jornada.
Dentro da base governista, o PT tenta evitar novas desonerações tributárias, mas reconhece que o texto precisa de ajustes para avançar.
Uma das alternativas em análise nos bastidores é a criação de linhas de crédito subsidiadas via BNDES para socorrer empresas impactadas pela mudança de escala.
Além do embate financeiro, o governo enfrenta o risco de atrasos regimentais.
Deputados contrários à medida planejam utilizar o limite de até 40 sessões para discussão na comissão especial, o que pode paralisar a tramitação por meses e empurrar a decisão final para o segundo semestre.
A demora na votação preocupa o entorno do presidente Lula, que considera o fim da escala 6×1 um trunfo político estratégico para 2026.
Para o Planalto, a aprovação da medida é vista como a entrega social mais relevante deste mandato, com potencial para influenciar diretamente as eleições.
Enquanto a oposição tenta desidratar ou adiar o texto, o governo busca acelerar o consenso para evitar que a pauta se perca no calendário legislativo.
O desfecho da proposta dependerá da capacidade do Executivo em ceder em pontos econômicos sem descaracterizar a essência da reforma trabalhista.

