
O líder máximo do tucanato no Ceará, ex-governador Tasso Jereissati, deve estar satisfeito com a nova fase por que passa seu PSDB de guerra.
O motivo é o assunto corrente em rodas de conversa, redes socais, dentro e fora do governo do Estado: a possibilidade de Ciro Gomes (PSDB) chegar ao Palácio da Abolição.

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Para Tasso, porém, a eventual vitória tucana em outubro é apenas parte do processo. Numa visão mais ampla, o também ex-senador quer o PSDB de volta à mesa dos grandes debates nacionais. Continua depois da publicidade
Mas não é somente querer. O partido, que há um quarto de século dava as cartas no Governo Federal e Congresso Nacional, precisa de bancada. Sem isso, seguirá irrelevante em Brasília.
Essa é a segunda – até aqui, a mais desafiadora -, tarefa política de Ciro à frente do movimento oposicionista ao governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).
Não há, até onde a vista alcança, perspectivas alvissareiras concretas de o PSDB eleger um grupo relevante de deputados federais.
Projeções
O PSDB está federado com o Cidadania desde 2022. Cálculos internos indicam que o grupo deverá eleger um deputado federal e fazer uma boa sobra, olhando para a segunda cadeira.
Em números: PSDB teria condições de amealhar até 200 mil votos e o Cidadania, outros 160 mil – somados, 460 mil.
O quoeficiente eleitoral – votos válidos no Estado divididos pelas 22 cadeiras em disputa – para deputado federal pelo Ceará em 2026 está estimado entre 205 mil e 215 mil votos.
As projeções são desencontradas. Quem acompanha de perto a movimentação vê dificuldades de a federação alcançar a meta. Mas como aqui já dito, são muitas as variáveis. Melhor aguardar.
Histórico
Em 2022, a federação PSDB-Cidadania empossou, em todo o Brasil, 18 parlamentares – PSDB (13), Cidadania (5).
Atualmente, depois da janela partidária, o colegiado tem 20 cadeiras – 18 e 2, respectivamente.
O grupo não elegeu representante pelo Ceará nas últimas eleições. Agora, tenta mudar o quadro, com a visibilidade que voltará a ter, a partir da eventual candidatura de Ciro.
É nesse raciocínio onde se encaixam esforços da direção nacional tucana para Ciro voltar a disputar a Presidência da República. Há, também, motivações locais. Continua depois da publicidade
Voto de legenda
Independentemente do resultado majoritário, o chamado voto de legenda – quando é digitado na urna apenas o número do partido, sem especificar o candidato a deputado -, ajuda muito.
Isso, no que pese a vida partidária pregressa de Ciro, que o próprio define como ‘tragédia’. O pré-candidato a governador não é, exatamente, um ‘homem de partido’.
Poderemos ter Ciro, que já foi do PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, Pros e PDT, pedindo voto, de novo, para candidatos tucanos.
Há outro detalhe, que já circula nos bastidores da corrida eleitoral cearense. Em 2006, Ciro foi um dos campeões de voto para deputado federal, mas abandonou o mandato. Tirem as conclusões.
Senado e Alece
Para o Senado, onde o próprio Tasso representou bem a legenda por dois mandatos intercalados, nem se fala em eleição pelo PSDB. Perspectiva zero.
Já na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o PSDB foi de uma representante, eleita em 2022, para sete cadeiras, em 2026, depois da janela partidária.
O Cidadania também conquistou uma cadeira, há quatro anos. Atualmente, está sem assento no Parlamento Estadual.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

