
Uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) debateu, nesta segunda-feira, 27, soluções para conter ataques de cães a rebanhos de ovinos e caprinos no interior do estado.
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O encontro, presidido pelo deputado De Assis Diniz, reuniu produtores, pesquisadores e órgãos estaduais para discutir o impacto econômico e social causado pela perda de animais em mais de 25 municípios cearenses.
Dados apresentados pela Embrapa Caprinos e Ovinos revelam que 82% dos ataques atingem a agricultura familiar, levando muitos produtores a desistirem da atividade.
O levantamento aponta a perda de 1.075 animais nas áreas mapeadas.
Um entrave identificado é a subnotificação: embora a maioria dos criadores sofra com o problema, 74% não registram Boletim de Ocorrência, o que dificulta a dimensão real do cenário.
O estudo técnico constatou que as investidas são motivadas pelo instinto predatório e não pela fome, resultando em mortes em massa e abandono das carcaças.
Além dos cães que vivem soltos em áreas de mata, há relatos de animais treinados especificamente para atacar rebanhos.
Segundo especialistas, as ovelhas e cabras que sobrevivem raramente conseguem se recuperar dos ferimentos.
Entre as soluções tecnológicas, o IFCE apresentou uma coleira repelente movida a energia solar que emite sons para afastar os cães ao detectar latidos.
Outra proposta é o uso de inteligência georreferenciada para mapear os ataques de forma colaborativa, identificando padrões e períodos de maior incidência para orientar as ações de fiscalização e manejo.
No campo da proteção física, discutiu-se o uso de “animais guardiões”.
Cães especializados podem reduzir os ataques em até 91%, mas o custo de manutenção — entre R 4 mil e R 5 mil mensais — é considerado proibitivo para pequenos produtores.
Como alternativa de baixo custo, especialistas sugeriram o uso de jumentos, que também possuem instinto de proteção contra invasores nos pastos.
A audiência reforçou a urgência de um marco legal que responsabilize os tutores e de um plano de manejo que inclua castração e chipagem de animais errantes.
As propostas apresentadas serão encaminhadas às secretarias de Proteção Animal, Desenvolvimento Agrário e Segurança Pública para a formulação de políticas públicas que protejam a pecuária cearense.

