
A última rodada Quaest de pesquisa para o governo do Ceará mostra Ciro Gomes (PSDB) com 41% das intenções de voto, contra 32% de Elmano de Freitas (PT).
Noutro cenário, quando Camilo Santana (PT) é testado contra Ciro, o petista aparece com 40%, contra 33% do tucano. Continua depois da publicidade

Quem é Erivaldo Carvalho
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Índices do tipo têm levado os mais inseguros à tentação de substituir, na chapa governista, o pré-candidato à reeleição pelo ex-ministro da Educação.
Seria um erro estratégico, com prováveis consequências eleitorais irreversíveis. Vejamos os principais fatores.
De quem estamos falando?
Para começar, de quem estamos falando? De Ciro, ex-principal líder político do Estado, a quem é devido a projeção ou consolidação de Camilo Santana.
Também estamos nos referindo a Elmano, que chegou a governador do Estado por outros fatores, totalmente alheios a Ciro.
O então pedetista lançou Roberto Cláudio contra a candidatura natural à reeleição de Izolda Cela (à época no PT).
O restante da história todos conhecem – há quem identifique a intransigência de Ciro com a candidatura de Roberto como ato de infidelidade ao projeto.
O fato é que, diferentemente de Camilo, Elmano não é cria de Ciro. A rigor, o hoje governador foi invenção da ex-prefeita Luizianne Lins (ex-PT, hoje Rede)
Isso faz toda a diferença, para muito além das performances de Camilo e Elmano, captadas pelos institutos de pesquisa.
A liderança de Elmano
Quando Ciro fala em traição e outros sentimentos amargos, está partindo do pressuposto de que a eventual chegada dele ao governo será uma resposta à infidelidade de Camilo.
O nome disso é vingança, uma reação pouco adequada para um líder de movimento que, de forma legítima, diz querer ajudar o Estado do Ceará a encarar desafios e superar gargalos.
Ciro sabe que se Elmano for reeleito, o petista poderá consolidar a liderança política no Estado. É isso o que acontece com a média de governantes que conquistam um segundo mandato consecutivo.
O próprio Camilo já teve seus dias de Elmano à frente do governo do Estado. É do processo. Continua depois da publicidade
Se Elmano for reeleito e o PT não conseguir seguir à frente do governo federal, Camilo será senador pela oposição, em Brasília, enquanto Elmano seguirá governador. Percebem a diferença?
Ou seja, para deleite de Ciro, Camilo perderia poder, mas o tucano não teria o prazer de derrotar, no mano a mano, quem ele rotula de traidor.
Máscara e esqueletos
Ciro já se gabou de ter saído de porta em porta, limpando o nome de Camilo, em 2014. Há alguns meses, o tucano disse que iria ‘tirar a máscara’ do petista.
Para o bom entendedor, Ciro pode ter conhecimento de esqueletos contra Camilo, guardados em armários, cujas chaves só ele sabe onde estão.
E o que o tucano teria contra Elmano, que nem a ele deve a projeção política?
Com Elmano candidato nada disso acontecerá. Até porque Ciro deverá passar parte da campanha mais ocupado em explicar as companhias políticas.
Traumas e bizarrices
O ano de 2022 foi traumático para o PT-CE, desfez a então aliança e até hoje repercute no projeto em curso. A consolidação da candidatura de Elmano afasta tudo isso.
Além do mais, Elmano tem o governo na mão, comanda uma boa equipe e é bem avaliado. Só precisa ter mais jogo de cintura para transformar tudo isso em voto.
E nem estamos considerando o senador Cid Gomes (PSB) descer do palanque do PT, caso Elmano seja substituído por Camilo. Aí seria o estouro da boiada.
É isso. O mais são bizarrices a cinco meses das eleições e três das convenções partidárias – uma eternidade, em se tratando de cenários que podem mudar de um dia para o outro.
Bom restante de sábado e ótimo domingo.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

