
Por Erivaldo Carvalho
Advogado, doutor em direito e professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC) – instituição da qual foi reitor -, José Cândido Lustosa Bittencourt de Albuquerque nasceu em Corrente (PI). Tem 69 anos.
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Ex-presidente da OAB-CE, Cândido integra o grupo de oposição ao governo do Estado. Ele é filiado ao PSDB, partido do pré-candidato a governador, Ciro Gomes. Cândido é pré-candidato ao Senado.
PODER NEWS – Como está a pré-candidatura de Ciro Gomes?
Cândido Albuquerque – Está muito bem. Tem recebido apoio e aceitação impressionantes. O povo identificou a necessidade de mudanças e identifica no Ciro a pessoa capaz de implementá-las. O povo está insatisfeito e com medo.
PODER – Como esse medo se manifesta?
Cândido – Há dois aspectos. Quem não apoia o PT tem medo da perseguição do governo. Há claro patrulhamento. O segundo medo é das facções e violência. O governo nem esconde a leniência com o crime, como é o caso dos municípios de Santa Quitéria e Choró. O crime organizado chegou a um nível insuportável.
PODER – Por que o senhor quer ser candidato ao Senado?
Cândido – Porque quero ser protagonista no Senado para defender o Supremo Tribunal Federal. Isso significa punir eventuais condutas indevidas de ministros. O caso Master é o maior escândalo de corrupção de que temos conhecimento. E há uma nuvem de desconfiança muito forte sobre o Supremo. Como o único órgão habilitado para investigar o Supremo não faz nada?
PODER – O Senado está omisso?
Cândido – Vergonhosamente omisso. Não só em relação ao caso Master. Nos últimos anos não houve uma única discussão nacional que tenha passado pelo Senado. O dia a dia da educação e saúde dos brasileiros, por exemplo. Quando chega a proposta de orçamento, os senadores só discutem emendas parlamentares.
PODER – Dos atuais três senadores cearenses, qual o melhor, o pior e por quê?
Cândido – Não faria essa avaliação dessa forma. O que posso dizer é que a atual composição de 81 senadores talvez seja a pior da história. O Senado era onde ocorriam grandes debates.
PODER – Como o senhor enxerga as pré-candidaturas ao Senado?
Cândido – Tenho visto muitos, aqui no Ceará, de vários partidos, discutindo questões paroquiais. Você não sabe se ele quer ser senador, vereador ou conselheiro tutelar. Claro que o Senado tem que discutir os assuntos locais, mas com abrangência nacional, a partir de uma legislação que melhore o Brasil inteiro. Esse é o papel do Senado.
PODER – Já há dois pré-candidatos pela oposição, Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL). Como resolver o impasse?
Cândido – Eu proponho a seguinte pergunta: quem está preparado para ser senador? Quem tem o perfil? Essa é a questão. Haverá uma depuração até as convenções. Se alguém for para o Senado discutir questões de vereador, fica como está, o Senado engolido pelo Supremo e desrespeitado pelo Executivo.
PODER – Em que o Executivo desrespeita o Senado?
Cândido – Veja o caso da indicação do Jorge Messias a uma vaga no Supremo. O governo liberou R$ 13 bilhões. Nós precisamos de um Senado em que o Presidente da República não tenha coragem de querer liberar verbas para aprovar qualquer coisa lá dentro.
PODER – Se o senhor não for candidato titular, consideraria ser suplente?
Cândido – O suplente não pode fazer o que eu estou pretendendo fazer. Tem que ter o controle do mandato. Vamos chegar a essa maturidade. Os três nomes de pré-candidatos estão aí. Obviamente que o Ciro terá uma palavra final muito forte sobre isso.
PODER – O Ciro e o senhor são do PSDB. Os dois na mesma chapa não causaria hipertrofia?
Cândido – Se o União Brasil ficar com a vice (Roberto Cláudio) e o Senado (Wagner), também haveria hipertrofiado.
PODER – E concorrer a deputado federal?
Cândido – O debate que quero estabelecer está em outra dimensão. No Senado, o debate é, fundamentalmente, sobre matérias constitucionais. É o que a Casa deve fazer e não faz. Por isso essa bagunça que está aí. Quero dar essa contribuição.
PODER – O senhor estrear na política partidária agora é vantagem ou desvantagem?
Cândido – É uma grande vantagem. Não preciso do salário de senador e não dependo de fazer carreira lá. Já fiz a minha carreira e não preciso de aposentadoria. Posso chegar para debater com os ministros do Supremo e nenhum vai apresentar um título acadêmico que eu não tenha.
PODER – Serão duas cadeiras em disputa entre governo e oposição. Qual a expectativa do senhor?
Cândido – Tudo pode acontecer. Qualquer lado pode fazer as duas. Quando a onda vem, ela leva mesmo. Mas essa não é uma preocupação minha. Quero submeter meu nome ao escrutínio popular. Quero levar minha mensagem e dizer o que posso fazer.
PODER – Será uma campanha estadual ou nacionalizada?
Cândido – Haverá uns traços transversais nas discussões, mas o debate do Ceará é o debate do Ceará. O debate nacional é o debate nacional.


