
A notícia de que o presidente Lula (PT) vem ao Ceará, em junho, lançar a pré-candidatura do governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição, altera a dinâmica do jogo jogado até aqui.
O Palácio da Abolição e aliados estavam na defensiva, arrastados que foram para o campo da oposição, liderada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).

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Experiente, com retórica invejável e boa inserção em redes sociais e cobertura tradicional, o tucano não teve dificuldades em aplicar golpes certeiros no governo.
O anúncio de Elmano por Lula terá efeito, no mínimo, duplo: de imediato, vai retirar da sala o bode que a oposição colocou, sobre o senador Camilo Santana (PT) ser o candidato.
Segundo ponto, como desdobramento direto do primeiro: será uma espécie de senha de que a disputa, efetivamente, começou. Até porque a oposição está na estrada há meses.
Tecnicamente, seria impróprio afirmar que a campanha está na rua. Mas dá para dizer que, nesta reta final de maio, a corrida eleitoral no Ceará entrou em nova fase.
MOBILIZAÇÃO E LINHA DE FRENTE
O PT já referendou, nos últimos dias, Elmano como pré-candidato à reeleição. Mas falta a mobilização, que somente Lula, mesmo cansado de guerra, ainda consegue fazer.
Há outros elementos, nessa contraofensiva palaciana. Camilo foi para a linha de frente e o também senador Cid Gomes (PSB) subiu o tom contra o irmão e adversário político.
Aqui há outro ponto relevante: o PT parece ter encontrado um dos ingredientes da receita para cavar os pés de Ciro: martelar a ligação do tucano com o bolsonarismo.
Lula, mesmo dentro da estratégia nacional de manter o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) vivo até o limite da substituição -, deve meter o dedo na ferida.
RISCOS CALCULADOS
Sabemos dos riscos da decisão do governo, que vão do encurtamento da gestão a questões legais. Mas isso teve de ser calculado. Pior é deixar Ciro correr solto.
Sobre questões legais: surpreenderá ninguém se um dos lados ou os dois apontarem antecipação de campanha pelo adversário. Lembrando: ainda estamos na pré.
Como aqui já dito, a Justiça Eleitoral tem enormes dificuldades de definir onde termina uma e começa a outra. Sabemos que vai muito além da vedação a pedido explícito de voto.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


