
Por Luisa Cela
Historicamente, os espaços de poder no Brasil foram desenhados para manter as mulheres do lado de fora. Não é acaso, é um projeto estrutural. A misoginia que contamina as instituições se cristaliza nas “leis machistas” – regras que regem o sistema político e barram sistematicamente a ascensão e a permanência da liderança feminina.
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Como psicóloga, compreendo o impacto profundo dessa exclusão. A violência política de gênero – manifesta nas interrupções, na descredibilização de nossas vozes e nas ameaças – funciona como um perverso mecanismo psicológico.
O objetivo central é minar nossa autoconfiança e nos convencer de que a política institucional não nos pertence. Porém, a realidade prova o oposto: é justamente a nossa ausência histórica nas instâncias de decisão que perpetua as desigualdades do país.
Minha trajetória pública, especialmente à frente da Secretaria da Cultura do Ceará, me provou que a presença feminina transforma não apenas quem governa, mas como se governa.
Quando mulheres ocupam cadeiras de decisão, trazemos para o centro do orçamento temas que a velha política costuma ignorar: a economia do cuidado, a cultura como vetor de desenvolvimento, a saúde mental e o combate real à violência doméstica.
Hoje, o Congresso Nacional não reflete a diversidade nem a força das brasileiras. Deparamo-nos constantemente com um Legislativo que tenta tutelar nossos corpos e limitar nossa cidadania. Enquanto formos minoria na Câmara dos Deputados, nossos direitos continuarão sendo negociados como moeda de troca.
Acredito que o nosso maior desafio agora é romper a sub-representação de forma definitiva. O PT é vanguarda na defesa das lutas feministas, mas a batalha é diária. Precisamos eleger mulheres que não queiram apenas sobreviver ao jogo político, mas sim mudar as suas regras.
Ocupar o poder não é projeto de vaidade, é sobrevivência democrática. Se as estruturas machistas foram criadas para nos silenciar, usaremos nossa experiência e a força do nosso voto para revogá-las. A política do futuro será inclusiva e terá rosto, voz e coragem de mulher.
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