
Desde a redemocratização do Brasil, no final dos anos 1980, sucessivas mudanças na legislação encurtaram campanhas eleitorais. Antes, eram maratonas de três meses ou mais; hoje, são corridas curtas.
Acontece que a polarização política dos últimos tempos e a forte presença das redes sociais remoldaram essa percepção.

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Com exceção do vedado pedido explícito de voto, já não há, na prática, mais diferença entre pré e campanha, propriamente. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Tais mudanças estão impactando, diretamente, as disputas eleitorais de 2026 – tanto na corrida ao Palácio do Planalto quanto no pleito pelo Governo do Estado.
No Ceará, as alterações têm contras e prós para os dois lados. Primeiros a colocar o bloco na rua, os opositores e pré-candidatos Ciro Gomes (PSDB) e Eduardo Girão (Novo) são, em tese, os mais beneficiados.
VANTAGENS E DESVANTAGENS
Diante do cenário, o governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), foi convidado a dançar no corpo a corpo eleitoral em agendas Ceará a dentro.
É visível a mudança no entorno do petista.
Para a oposição, a principal vantagem é ter mais tempo hábil para fazer o que tem feito: discursos inflamados com cobranças, provocações, denúncias e apresentação de pré-candidatos.
Mas há desvantagens. Campanhas competitivas, sem exceção, devem ser numa crescente, sempre avolumando-se mais e mais, gradativamente, na medida em que o calendário avança.
Do contrário, movimentos de oposição que começam fortes e perdem força, ao longo dos meses, podem definhar, chegando à reta final sem fôlego eleitoral, o que pode significar desastre nas urnas.
CAVALO PARAGUAIO E CAFÉ FRIO
Não há nada pior para a oposição do que começar com alta expectativa de poder e desmilinguir ao longo do caminho. É o apelidado cavalo paraguaio.
Efeitos semelhantes podem acometer o governo. Em regra geral, quem está no poder prefere campanhas curtas – até mesmo para não estimular potenciais adversários.
Para governistas, a primeira fase da disputa deve ser dedicada, de preferência, a entregas e anúncios da gestão.
Processos eleitorais antecipados engolem a administração e, numa hipótese ruim, esfriam o café. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
ERRO DO ADVERSÁRIO
Por último, campanhas eleitorais longas cobram, para ambos os lados, muito mais esforço financeiro, disposição física e equilíbrio pessoal.
Sobre este último ponto: fadiga e cansaço mental costumam baixar a guarda de candidatos. Treinamentos e vigília deixam de atuar. O resultado pode ser concorrentes revelando seu verdadeiro perfil psicológico.
Por isso que, do meio para o fim de disputas eleitorais compridas, candidatos costumam jogar esperando ou estimulando erros do adversário.
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


