
Por determinação do desembargador Emanuel Leite Albuquerque, do TRE-CE, o Instagram terá de identificar os responsáveis por perfis supostamente anônimos que atacaram o mandato do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Romeu Aldigueri (PSB).
O caso ganhou repercussão nas últimas horas, por se tratar – sem entrar no mérito dos conteúdos -, de uma liderança política em ascensão, presidente de um dos Poderes do Estado.

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Se milícias digitais abrem fogo contra uma das maiores autoridades do Ceará, podemos imaginar do que são capazes diante de adversários políticos que não sabem ou não têm como se defender. Esse é o ponto.
O episódio reforça a expectativa ruim de que situações do tipo pautarão parte da disputa eleitoral de 2026, que já se vislumbra como uma das mais duras, acirradas e imprevisíveis dos últimos tempos – tanto no cenário nacional quanto estadual.
Para além do dever de preservar o pleito em condições civilizadas, a Justiça Eleitoral precisa ser pedagógica. Há em curso um teste de autoridade.
O desfecho desta e de outras demandas semelhantes – inclusive com o agravante do uso de Inteligência Artificial sem rótulo, a exemplo dos ataques a Romeu -, dirá muito do que teremos até o final de outubro.
Um comentário e um aviso. O debate político livre nas redes sociais é uma conquista da democracia brasileira. Mas a liberdade de expressão termina quando começam crimes de calúnia e difamação.
Agora, a advertência. Quem entende a fundo do assunto diz que é impossível não se deixar rastro do que se faz na Internet. Vide o que vem à tona em relatórios da Polícia Federal.
“Criptografia de ponta a ponta” é marketing empresarial, não é mesmo, Meta? Portanto, um aviso aos navegantes: não há anonimato na Internet. Não caia nessa.
Mas isso precisa ficar muito claro – particularmente, para quem ainda acredita que dados falsos em cadastros de perfis, equipamentos descartáveis, abas privativas ou mesmo a Deep Web são escudos seguros e confortáveis.
Por fim, vale registrar que a Internet – redes sociais e mensageiros instantâneos, sobretudo -, será, sem dúvida, o principal território de disputa por corações e mentes nas eleições deste ano.
A Justiça Eleitoral precisa pregar uma placa de que não estamos num território sem lei.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado

