
Cheio de clichês, o jogo político é um bálsamo de lições de vida, muitas delas imortalizadas por expressões experimentadas pelo tempo. Um desse lugares-comuns é o famoso “em disputa eleitoral, feio é perder”.
A expressão é, por óbvio, filosoficamente preocupante, já que remete à ideia do vale-tudo para chegar, voltar ou se manter no poder. Mas, por ora, deixemos o julgamento moral de lado e vamos à política como ela é.

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Em cenário conflagrado por ex-aliados, o Ceará assiste ao governo e à oposição atuarem, com muita disposição, para fechar a melhor chapa majoritária possível.
Os dois lados têm em comum o fato de precisarem superar fortes divergências políticas.
CIRO E ANDRÉ
Pela oposição, por exemplo, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) teve de engolir o que já disse contra o presidente do PL-CE, deputado federal André Fernandes.
Apoiadores do pré-candidato tucano a governador do Estado sustentam que objetivos mais amplos do grupo, como implantar um novo modelo de gestão no Estado, justificam a união.
Ciro fez as pazes – pelo menos, jurídicas -, inclusive, com outro arquirrival, o presidente do MDB-CE, deputado federal e pré-candidato ao Senado, Eunício Oliveira.
CAMILO E LUIZIANNE
Já na base governista, personagens relevantes para a formação da chapa majoritária também estão deixando as mágoas do lado de fora da sala de reuniões. A mais recente rodada deixou frente a frente Camilo Santana e Luizianne Lins.
Como é de conhecimento público, os dois petistas têm arestas, até agora não aparadas. As divergências passam por controle do PT de Fortaleza, sucessão na Capital e, mais recentemente, disputa ao Senado.
Alguém poderia argumentar que as diferenças de Ciro com ex-adversários são mais graves do que as questiúnculas governistas.
Pode ser. Há até quem aponte incoerência do tucano – apesar de, como aqui já dito e explicado -, a esquerda não ter credencial para fazer esse tipo de crítica.
Desconsiderando a régua de cada lado, o que está posto é a certeza de que vai começar a campanha eleitoral melhor quem conseguir costurar o mais amplo arranjo político.
Se isso vai ser bonito para quem ganhar e feio para quem perder, somente o tempo dirá.
Bom final de semana de estreia do Brasil na Copa.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado


