
A pesquisa AtlasIntel desta segunda-feira, 15, causou euforia e inquietação nas pré-candidaturas do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) e do governador Elmano de Freitas (PT).
Os índices de primeiro turno mostram empate técnico no centro da margem de erro, com diferença positiva de 1 ponto percentual (pp) para o tucano: 45,8% a 44,8%. A margem de desvio é de 3 pp, para mais ou menos.

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O cenário animou grupos e redes sociais mais simpáticos à continuação do atual grupo político no controle do Palácio da Abolição. Numa metáfora futebolística, foi empate com sabor de vitória. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
No segundo round, Ciro abre dianteira de 53,2% a 44,9%. Nesse dado, a notícia boa vai para a oposição: em um eventual confronto direto final, o tucano consegue atrair mais intenções de voto do que o petista.
HISTÓRICO E MEDO
Mas não há segundo turno sem o primeiro, como lembra um assíduo leitor da Coluna. Outro interlocutor aponta o bom histórico do PT no sprint da caça ao voto. A saber:
Em 2022, para surpresa de quase todos, Elmano foi eleito governador ainda no primeiro turno. Na disputa pela Prefeitura de Fortaleza, em 2024, André Fernandes (PL) venceu o PT no primeiro turno e perdeu no segundo.
Mas essas são outras histórias. Esse tipo de memória ativa a militância. A realidade política, no entanto, é outra. O melhor mesmo a fazer, tanto governo quanto oposição, é interpretar o significado dos índices.
Para o grupo de Elmano, é bem possível que a projeção de empate com Ciro no 1º turno seja vista como resultado de um conjunto de fatores, puxados pela melhora brusca nos índices de criminalidade.
Para Ciro, porém, o novo cenário, nos últimos meses, acontece mais por controle de territórios por praticamente uma facção. Isso teria reduzido a guerra entre grupos criminosos – consequentemente, os crimes.
Isso é interessante. Se Ciro investe no medo e resgate heroico da população e está criticando a redução da criminalidade, provavelmente ele identificou perda de fôlego dessa retórica. Pode ser uma pista.
MÉRITOS, NÃO ERROS
Os ruídos sobre a recandidatura de Elmano ficaram para trás e o governador ligou o modo reeleição – está muito mais interativo em público e ativo nas articulações para fechar a chapa majoritária.
Além, claro, da frenética agenda de governo, com base na qual Elmano corre para fazer o máximo de entregas, até o limite do prazo previsto na legislação eleitoral.
Já Ciro segue na forte toada de críticas ao modelo de gestão do PT, focando na atuação do crime organizado no Estado, gargalos na saúde pública e desafios da economia cearense.
Até aqui, portanto, não há um fato protagonizado pelo tucano que o tenha segurado na trajetória de consolidação de principal opositor. Mas a dianteira, já no primeiro turno, não veio. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Isso pode significar que o empate técnico desta segunda aconteceu, provavelmente, mais por mérito de Elmano – que pode estar começando a acertar o passo – do que por erros de Ciro.
BOLSONARISMO
A não ser que consideremos algum efeito político danoso para o tucano, ao ser associado, por governistas, ao bolsonarismo.
O ex-governador se diz independente. A posição política do tucano flerta com eleitores de todos os naipes políticos, mas o cálculo carrega alguns riscos.
A eleição será polarizada e Ciro já assistiu quatro vezes a versões diferentes desse mesmo filme.
Pode ser outra pista, que o Atlas transformou em números.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado


