
Por Salomão de Castro
Com a Copa do Mundo em andamento até o dia 19 de julho, uma verdadeira indústria temática toma nosso País, por meio de documentários, filmes, livros e revistas especializadas, dentre outros produtos.
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Entre uma partida e outra, é possível apreciar no streaming uma preciosidade: a série “Brasil 70: A Saga do Tri”, de cinco episódios, da Netflix.
Dirigida por Paulo Morelli, Pedro Morelli e Quico Meirelles, a série se debruça sobre o Mundial de 1970, em que o Brasil sagrou-se tricampeão, e o faz com grande apuro técnico, roteiro eficiente e ótimas atuações. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
56 ANOS DEPOIS
Por uma feliz coincidência, o México, uma das sedes do Mundial de 2026, abrigou a Copa realizada há 56 anos – o que transforma a nostalgia em expectativa de que o triunfo brasileiro se repita.
A trama mostra como durante a Ditadura Militar, enquanto estávamos sob censura, repressão e tensão política, a Seleção embarcou para o México com a cobrança de provar ser capaz de chegar ao tricampeonato.
No torneio de 1966, a Seleção ocupou apenas a 11.ª colocação – após as conquistas de 1958 e 1962.
“Brasil 70: A Saga do Tri” vai além do que se passa nos campos, ao tratar do contexto político que o Brasil vivia em 1970.
JOÃO SALDANHA E ZAGALLO

A produção tem como um dos protagonistas o então técnico João Saldanha (Rodrigo Santoro), jornalista então integrante dos quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) – portanto, opositor do regime vigente.
A série mostra como sob sua liderança foi escalada a seleção, diante de grande vigilância do governo Emílio Garrastazu Médici (1969-1974).
Os conflitos decorrentes do posicionamento político de Saldanha, que culminam na sua substituição por Zagallo (Bruno Mazzeo), são esmiuçados, bem como as relações interpessoais dos atletas, cuja principal estrela era Pelé (Lucas Agrícola).
Tão hábil quanto na abordagem temática entre o que rola nas partidas e o cenário político brasileiro, a série faz de forma equilibrada a divisão de espaço entre os protagonistas.
No decorrer dos episódios, o foco se alterna entre Saldanha, Zagallo e Pelé, com grandes atuações de Santoro, Mazzeo e Agrícola, respectivamente. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A fotografia granulada, muito fiel às imagens dos anos 1970, e a montagem são itens que também merecem nota.
NOVAS GERAÇÕES
Mas é, sem dúvida, com a bola em campo que a série nos conquista.
Acompanhei a série com minha filha Sara, de sete anos, e as reações dela às estilizadas reconstituições das partidas, sobretudo dos gols que levaram o Brasil ao tricampeonato, eram tão festivas quanto às de quem acompanha um jogo ao vivo.
Com apuro técnico notável, as cenas encantam, muitas vezes, oscilando entre cortes precisos e jogadas mostradas em câmera lenta, traduzindo o empenho dos jogadores em campo e a emoção da torcida.
É um resultado que atinge em cheio as gerações que ainda não viram o Brasil vencer uma Copa do Mundo.
A série é hábil em nos mostrar que a luta pela democracia é permanente, e persiste não apenas a cada quatro anos, quando se busca um novo campeonato – ela se renova a cada dia.
SERVIÇO
“Brasil 70: A Saga do Tri” – Série em seis episódios dirigida por Paulo Morelli, Pedro Morelli e Quico Meirelles. Elenco: Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo, Lucas Agrícola, Gui Ferraz, Ravel Andrade, Caio Cabral e Julia Stockler. Disponível na Netflix
Este conteúdo foi publicado, originalmente, no site da Associação Cearense de Imprensa



