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PODER NEWS – Conteúdo que informa; opinião que transforma

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Ajuda estatal: a serpente do assistencialismo

Redação 9 de julho de 2026
Nizomar Falcão é PhD e engenheiro agrônomo da Ematerce / Foto: Divulgação / Foto: Reprodução

O reciprocidalismo entende que políticas públicas assistencialistas é uma agressão à sociedade, porque desorganiza e interfere em todos os processos de crescimento pessoal e evolução das comunidades.

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Na Índia, pagaram para matar cobra. A população passou a criar cobras. No Brasil, pagaram para sair da pobreza. A população aprendeu a ficar pobre.

No século XIX, o governo britânico, na Índia, queria reduzir a população de cobras venenosas, em Delhi. A solução pareceu óbvia! Pagar uma recompensa para cada cobra morta e entregue. No começo funcionou.

O programa parecia um sucesso. Mas a população percebeu algo – criar cobra dava dinheiro. Começaram a criar cobras em casa para entregar ao governo. Quando o programa foi cancelado, os criadores soltaram as cobras – inúteis agora.

O resultado? Mais cobras do que antes do programa. Isso ganhou um nome: efeito cobra. O Brasil criou o Bolsa Família, em 2003, pela fusão de vários programas sociais existentes, para tirar pessoas da pobreza.

O objetivo era nobre. Mas o programa foi crescendo. Os critérios foram sendo ampliados. Os valores foram aumentando. E ninguém criou um incentivo real para sair.

Quem ganha um pouco mais perde o benefício. Quem declara renda maior perde o benefício. Quem arruma emprego formal corre o risco de perder o benefício.

Resultado? A população aprendeu a ficar elegível. Não declarar renda acima do limite. Não formalizar o trabalho. Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família, CadÚnico – cada benefício tem um teto e, o brasileiro racional aprendeu a ficar abaixo dele.

Não é desonestidade. É o efeito cobra funcionando perfeitamente. Em 2003, o Bolsa família atendia 3,6 milhões de famílias. Em 2024, chegou a 21 milhões. Em 20 anos, o número de beneficiários quintuplicou.

O custo saiu de R$ 4 bilhões para R$ 168 bilhões por ano. Se o programa funcionasse como planejado, as famílias sairiam. O número cairia. A cobra está maior do que nunca.

E o desemprego? A taxa caiu para mínimas históricas. O governo comemorou. Mas a taxa de desemprego só mede quem está procurando emprego e não encontra. Quem parou de procurar não entra na conta.

Com R$ 168 bilhões em benefícios anuais, muita gente parou de procurar – não por preguiça, mas porque a conta fechou melhor assim.

O reciprocidalismo, com seus Núcleos de Reciprocidade e Irradiação de Tecnologias de Convivência com o Semiárido (NITs), propõe uma janela para saída: irradiar conhecimentos para que os agricultores domésticos e familiares fujam dessa armadilha.

O programa bolsa-família completou vinte anos. A lição que se pode tirar é que o incentivo errado sempre produz comportamento errado.

O governo não criou dependentes. Criou um sistema que recompensa a dependência.

Artigos assinados por colaboradores não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Poder News

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