
A semana política chega ao fim com o calendário das convenções partidárias em pleno andamento, com destaque para o PSDB, que oficializou o ex-ministro Ciro Gomes para o governo do Estado.
Na edição de hoje vamos comentar dois pontos – um positivo e outro passível de debate -, sobre o nome do tucano ao Palácio da Abolição.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Primeiramente, o positivo. A campanha acertou no mote “Unir para Mudar”. Tem muito potencial retórico, com forte apelo eleitoral. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O binômio “Unir-Mudar”, duas ações concretas, remete, basicamente, a dois importantes ciclos da história política do Ceará:
“União pelo Ceará”, da década dos anos 1960 do século passado, e “Movimento das Mudanças”, de algum tempo depois.
O slogan de Ciro, portanto, não é, tecnicamente, original. Mas, fruto de uma boa customização, ficou inspirador.
OS MEIOS E OS FINS
O segundo ponto é mais sutil, já que envolve muito mais do que semântica e inconsciência coletiva.
Em vídeo de agradecimento ao apoio do PL, Ciro recorre, exatamente, ao mantra ‘unir para mudar’, na tentativa de entrelaçar meio e fim para a plataforma política de 2026.
O tucano teoriza sobre o esforço dos grupos políticos divergentes – PSDB, PL e outros -, colocarem de lado as diferenças, em nome de um objetivo comum.
Ciro cita “princípios e convicções” que estariam na raiz do antagonismo. Em seguida, diz que enfrentar os gargalos cearenses deve estar acima da “radicalização política”.
CIRO DESLOCOU-SE À DIREITA
Mas o discurso de Ciro tem alguns problemas. É, no mínimo, polêmico. Veja bem.
Ciro é tido e havido como de terceira via – equidistante dos polos políticos. Até aí tudo bem o candidato defender convergências. É esse o perfil.
O PL, entretanto, não se moveu um milímetro. Quer no plano nacional, com os Bolsonaro, quer no Ceará, com os Fernandes, o grupo continua onde sempre esteve.
Para apoiar Ciro, o PL não deixou de ser bolsonarista. Não precisou. Ciro é que se deslocou do centro à direita e extrema direita. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Como aqui já dito, Ciro, num partido nanico, precisa do PL para se viabilizar; já André precisa de Ciro para acessar eleitores além da própria bolha para tentar eleger o pai senador.
Houve efeito gravitacional. Muito maior, mais endinheirado e mais poderoso, o PL de Fernandes atraiu o PSDB de Ciro.
Esse é o cálculo político. E não há problema nenhum nisso. A questão é como isso é envelopado para ser entregue ao grande público.
Alguns acordos políticos são como piada: se precisa explicar é porque não funciona.
E Ciro está explicando demais.
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.
