
Passadas as convenções partidárias, agora é possível projetar, com bom nível de acerto, as principais armas dos grupos governista e oposicionista para tentar vencer as eleições de outubro.
Nos dois grandes atos políticos ficou muito claro que o governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), vai colar no presidente Lula (PT), que também busca mais quatro anos de mandato.

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Por isso, o jingle – música-chiclete que gruda no eleitorado -, e o vídeo executados no Centro de Eventos misturaram presidente da República e governador do Estado: “Lula é Elmano e Elmano é Lula”.
O candidato Ciro Gomes (PSDB) vai buscar debater os principais problemas do Estado do Ceará, a partir dos quais pretende apresentar soluções, com base na experiência de ex-governador.
Por isso, o discurso lido pelo tucano no Hotel Marina Park, com textos projetados em telas à frente. Mesmo habilidoso na fala, o candidato queria ter o máximo de controle da apresentação com ares de pitch executivo.
A ESTRATÉGIA DE CADA UM
Elmano vai querer nacionalizar a campanha, pegando carona em Lula e defenestrando o bolsonarismo, que no Ceará está com Ciro.
Ciro pretende manter a disputa circunscrita ao Ceará. Para isso, focará nos desafios do Estado, mantendo distância do bolsonarismo e atacando o grupo petista estadual.
Fiel ao próprio estilo, o candidato do PSDB vem fazendo críticas pesadas ao grupo governista – e deve manter a tática. A ideia é puxar o governo para seu campo semântico.
As provocações de Ciro, por enquanto, não surtiram efeito – pelo menos, publicamente. Elmano parece estar mais focado em apresentar resultados da gestão.
Esse pode ser o caminho, como recomendou Lula a Elmano, durante a convenção da última sexta-feira, 31, em Fortaleza.
Mas pode não ser. Conforme dito aqui, quem melhor vender a ideia de futuro ao eleitor partirá na frente na batalha por corações e mentes.
GUERRA DE NARRATIVAS
Aqui chegamos a um ponto crucial. Ciro tem chances de vencer a guerra de narrativas simbólicas. Há um sentimento de mudança, captado por pesquisas.
Para barrar o movimento cirista, Elmano tem algumas saídas. Uma delas é apresentar as entregas atuais de seu governo como base para promessas de dias melhores.
Apostar, basicamente, no lulismo e polarização ideológica pode ser insuficiente para mitigar o antipetismo latente – para muitos, um cenário de rejeição já consumado.
