
A decisão desta terça-feira, 4, do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), confirmando o apoio da Federação União Progressista à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado, é um marco histórico na política brasileira.
A posição da Justiça Eleitoral mostra, claramente, como os partidos políticos perderam força, enquanto entidades individuais, em favor dos organismos nacionais.

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Criada pela reforma eleitoral de 2021, a federação é a união de dois ou mais partidos com programas, em tese, semelhantes. É o caso em questão, que deixou no mesmo guarda-chuva o Partido Progressista e o União Brasil.
Muito além de uma mera coligação partidária, geralmente feita por conveniência de momento, a federação, de duração indeterminada, abre um novo tempo para a organização política nacional.
Como vimos, as cúpulas nacionais darão a última palavra nas grandes decisões das agremiações regionais.
Foi esse o espírito da decisão do TRE-CE desta terça, que seguiu o que determinou o presidente da federação, Antonio Rueda.
E como ficam os diretórios estaduais? Seguirão em decadência, valendo ainda menos do que repartições políticas burocráticas, envelhecidas e ultrapassadas.
Com as exceções de praxe, claro.
DERROTA POLÍTICA
Em termos político-eleitorais, a decisão do TRE-CE é derrota política para o governo do Estado, que tem seu chefe maior, Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição.
Maior grupo político do Congresso Nacional, a Federação União Progressista representa latifúndio no tempo de rádio e TV, ainda relevantes em campanhas eleitorais.
E, mais importante ainda, significa gordas fatias dos bilionários fundos partidário e eleitoral.
Além disso, o governo não conseguiu desfalcar o palanque do maior oponente – provavelmente, o objetivo central da empreitada.
Os governistas, certamente, já previam a perda de apoio do PP e União como um dos cenários possíveis.
Assim, terão que montar outros arranjos para a finalização da chapa majoritária – falta a indicação do segundo nome ao Senado.
E isso tem de ser feito o mais rapidamente possível – o prazo termina nesta quarta-feira, 5.
As atas podem ser enviadas à Justiça Eleitoral até o próximo dia 15, véspera do início da campanha, propriamente.
É super-quarta que chama?

