
O primeiro debate entre os candidatos a governador do Estado, promovido pela Band Ceará, na noite deste domingo, 9, reforça o que aqui vimos dizendo. Para lembrar:
De um lado, o governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), apresentando resultados da gestão dele, pelos quais vai pedir voto, a partir do próximo dia 16, para mais quatro anos de mandato.
Na outra ponta, o candidato Ciro Gomes (PSDB) fazendo diagnósticos críticos sobre setores estratégicos da gestão pública estadual. Diz que vai mudar praticamente tudo, se for eleito o próximo governador.
No pano de fundo, o petista várias vezes se associou ao lulismo e apontou o dedo para as companhias do tucano, que no Ceará é apoiado pelo PL de André Fernandes e Flávio Bolsonaro.
Na mesma medida, Ciro chamou de submissão eleitoreira o alinhamento do governador ao presidente Lula e requentou denúncias contra integrantes da chapa adversária e apoiadores de Elmano.
Nesse sentido, portanto, o confronto verbal direto entre os dois candidatos apenas reforçou o que já vinha sendo ensaiado nos últimos meses e que deverá ser a estratégia central de ambos na campanha eleitoral.
CHOQUE DE INFORMAÇÕES
Chamou muito a atenção da Coluna as diferenças gigantescas entre as falas de Elmano e Ciro. O governador pintou o tempo todo uma gestão com entregas extraordinárias na segurança, saúde, educação e infraestrutura etc.
Para Ciro, tudo está muito errado. Na visão dele, o Ceará está entregue à bandidagem, a saúde não funciona, a educação está em marcha ré e a economia e turismo desaceleraram.
Esse tipo de confronto, cada um com seus dados debaixo do braço, não ajuda muito no debate. Serve tão somente para segurar o eleitor já convertido, tanto de um lado quando de outro.
Nesse sentido, o debate foi polarizado. Politicamente, isso é até compreensível.
Mas, quando há números objetivos, absolutamente distantes uns dos outros e contraditórios, para sustentar essa ou aquela narrativa, é sinal de que está havendo, no mínimo, manipulação. No limite, alguém está tapeando a realidade. No bom português, mentindo.
De novo. O debate da Band, com o mérito de ter aberto a temporada de uma das fases mais esperadas do período eleitoral, não decidiu nem mudou voto de ninguém.
O confronto apenas reforçou quem está de um lado ou do outro. O público deve ter acreditado em seus candidatos. Afinal, para quem já tem certeza de algo, os detalhes pouco importam.
Fora isso, o encontro deste domingo acrescentou pouco ou quase nada na avaliação das respectivas campanhas. Ambos os lados foram às redes cantar vitória. Até nisso foram previsíveis.
De qualquer forma, o debate da última noite deixa algo muito claro: somente mostrar dados, como fez Elmano, é um enorme risco político. O petista precisa vender o futuro.
Até porque é, exatamente isso, o que Ciro está fazendo, ao mostrar que ele no governo a realidade pós-Elmano será outra.
Por isso ele investe tanto na retórica da mudança.
Boa semana a todos.

