
A semana política chega ao fim com a direita cearense eufórica pelos índices do Datafolha. Baqueada, a esquerda tenta entender o que aconteceu.
Dezenove pontos percentuais (pp) de diferença entre os candidatos Ciro Gomes (PSDB, 52%) e Elmano de Freitas (PT, 33%), é um cenário impensável até para muitos opositores.

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Vamos a alguns números. O Ceará tem cerca de 7 milhões de eleitores. Suponhamos que 5 milhões de votos válidos caiam na urna.
Num cálculo rápido, estamos falando de 950 mil votos de diferença – os 19 pontos pró-Ciro.
Se a campanha, que começa neste domingo, 16, dura menos de 50 dias, Elmano precisa conquistar 19 mil votos todo santo dia, até 4 de outubro.
Não será nada fácil para a esquerda. Mas nada garante que será impossível. Muito vai depender de variáveis que vão além da campanha.
Exemplo: nas últimas horas, houve especulações sobre atritos internos entre governistas. Há risco de debandada?
Vitórias têm muitos pais e mães. Derrotas são órfãs. Não é mesmo, prefeitos? A perspectiva de poder sempre vai alimentar a vontade de trair. A pressão será grande.
POR QUE CIRO ESTÁ LIDERANDO
Entender o porquê – ou ‘porquês’ dos números do Datafolha é um bom ponto de partida. De onde vêm os 52% do candidato do PSDB?
É da biografia de Ciro? Da força dos evangélicos? O eleitor aceitou o alinhamento do tucano com o bolsonarismo cearense para tirar o PT do poder?
O presidente Lula (PT) segue com liderança consolidada no Ceará. A vantagem de Ciro viria de uma suposta dobradinha Lula-Ciro?
Muito provavelmente, cada fator acima – e outros que ainda não apareceram no radar -, entra com uma cota dos motivos.
Cálculos terão de ser refeitos. Os donos da verdade no governo precisam baixar a bola, profetizar menos e trabalhar mais.
HUMANAMENTE POSSÍVEL
E Ciro? Basta não ser Ciro. Mais do que nunca, o candidato a governador precisa manter o autocontrole, não cair em provocações nem já se considerar eleito.
Na cotação do dia e ao contrário do que disse Lula, é humanamente possível Ciro ser vitorioso.
Mas, a eleição é no dia 4 de outubro – não foi nesta quinta-feira, 13, quando o Datafolha divulgou índices de intenção de voto.

