
A cada conversa com interlocutores das trincheiras eleitorais cearenses fica mais claro para a Coluna que o candidato a governador Ciro Gomes (PSDB) é o personagem central do pleito.
Tanto é assim que a entrada do tucano na corrida pelo Palácio da Abolição – em maio foi o primeiro Café da Oposição, na Alece -, mudou praticamente tudo até então previsto.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Com um nível bem acima de força e alcance das críticas de Ciro, o governo Elmano de Freitas (PT) se mexeu. A reeleição, que seria um passeio, virou um grande desafio para o PT e aliados.
E cá estamos, já na segunda quinzena de agosto, com a campanha oficialmente na rua, pesquisas que pressionando a base aliada e indícios de que poderá haver chapa informal ‘Lula-Ciro’.
‘LULA LÁ, CIRO GOMES CÁ’
Daí vem a pergunta-base: do ponto de vista do governo Elmano, o que pode ser feito para barrar o movimento ‘Lula lá, Ciro Gomes cá’, sob pena de o combo virar onda eleitoral até 4 de outubro?
A primeira ação seria uma campanha massiva, associando Lula a Elmano e Elmano a Lula – a rigor, foi lançada na convenção do petista, no último dia 31.
Na sequência, aderir Ciro ao bolsonarismo. Também já está sendo feito.
Ainda é cedo para se medir a estratégia, mas nada garante que funcione plenamente. Na política, aprende-se muito cedo que algumas tendências e preferências do eleitorado vêm para ficar.
Atenção: ninguém sabe ao certo se o binômio Lula-Ciro vai, realmente, emplacar, na cabeça e no coração do eleitor cearense, quando a campanha pegar tração valendo este.
O fato é que ciristas e o próprio candidato tucano parecem gostar da chapa com o presidente. Ciro vem poupando Lula e se escondendo de Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL, que o apoia no Ceará.
E LULA NO ATAQUE?
Lula entrar no circuito mais efetivamente, soltando umas bordoadas contra o ex-ministro dele, resolveria? Sim e não.
O tom mais duro do presidente da República contra Ciro poderia segurar eleitores lulistas, tangendo-os para votar em Elmano. E o eleitorado flutuante?
Aqui é onde está a grande incógnita – portanto, o alto risco eleitoral. O resultado iria depender de como o eleitor lulista, mas que por algum motivo também é antipetista, iria se posicionar.
Em outras palavras, ataques diretos de Lula a Ciro poderiam ter efeito contrário e afastar, ainda mais, eleitores do presidente de Elmano.
E ainda haveria a possibilidade de vitimização por parte do tucano. Lembram que nos últimos dias Ciro pregou humildade à militância?
Ali foi em relação à elástica vantagem dele no Datafolha sobre o candidato do PT. Mas esse é um artifício bombril, que serve para mil e uma utilidades.
Boa terça-feira.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

