
Ao retirar o deputado federal Mauro Filho (União Brasil) da vice-liderança do governo na Câmara dos Deputados, o presidente Lula (PT) entra no jogo eleitoral do Ceará.
É fácil entender por que. Ao contrário do que apoiadores do candidato Ciro Gomes (PSDB) afirmam, o petista tem interesse na disputa eleitoral do Estado.

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Para ciristas, seria o melhor dos mundos o presidente da República fingir que o então vice-líder dele não está em outro palanque no Estado.
Para os incautos, Mauro Filho, ao mesmo tempo, no governo, em Brasília, e na coordenação do programa de governo do tucano, no Ceará, seria um convite para a chapa informal Lula-Ciro.
PROJETOS ANTAGÔNICOS
Por óbvio, o PT-CE não iria assistir, da arquibancada, ao contorcionismos, sem agir. Quem articulou a destituição é o de menos.
O Ceará tem relação umbilical com o governo Lula. É daqui de onde, historicamente, saem altos índices de aprovação e carradas de votos.
Para deixar claro que no Ceará estão em disputa dois projetos antagônicos, o governo Lula não precisou entrar em tiroteio verbal. Apenas agiu.
E agiu passando um risco no chão: de um lado estão os aliados do presidente – Elmano de Freitas, Camilo Santana, Cid Gomes, José Guimarães, Luizianne Lins etc.
Do outro, a oposição, que tanto na Esquina do Atlântico quanto no Planalto Central reúne Ciro Gomes, Flávio Bolsonaro e André Fernandes, entre outros.
Lembremos que o agora ex-vice-líder de Lula peitou, há algumas semanas, o governo do Estado, nos quesitos fiscal e previdenciário.
Outro detalhe: olhando para a corrida presidencial de 2030, o lulopetismo tem todo interesse no resultado eleitoral do Ceará em 2026.
QUANDO FEVEREIRO CHEGAR
Mauro Filho caiu atirando. Mas, pensando bem, é melhor para ele também. A polarização deixou o eleitor menos tolerante a certos arranjos políticos.
Mauro é um deputado acima da média.
Na hipótese de o parlamentar cearense ser reeleito e, e se, Lula também receber mais quatro anos de mandato, eles podem voltar a conversar no ano que vem.
Por ora, o melhor é cada um ficar no seu cercadinho, defendendo, sem entrar no mérito, seu projeto ou aquilo em que diz acreditar.
Chega de fingimento. Não vai me comer, por que está me lambendo?
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

