
A recente história política do Estado tem pelo menos dois grandes marcos de dobradinhas eleitorais, que entraram para o rol de análises jornalísticas e acadêmicas.
Em ambos os casos, não funcionaram porque, supõe-se, os estrategistas da cúpula política não combinaram com o venerável eleitor. Vamos lá.

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“LULA LÁ, ZÉ AIRTON CÁ”
Corria a disputa estadual de 2002. De um lado, Lúcio Alcântara (PSDB) tentava receber o governo das mãos de Tasso Jereissati (PSDB). Do outro, José Airton Cirilo (PT) vislumbrava surfar na onda lulista.
Sem a força da máquina, o PT-CE elaborou o bordão “Lula lá, Zé Airton cá”, muito lembrado nestas eleições de 2026, por conta da adaptação caricata do combo “Lula lá, Ciro cá”.
Em 2002, a vitória petista não veio, apesar do sufoco histórico sofrido pelo então poderoso tucanato cearense.
“SOU PT, VOTO INÁCIO”
Dois anos depois, nas eleições municipais de 2004, a então candidata Luizianne Lins (PT) enfrentou o PT nacional, mesmo depois de ganhar o direito de disputar a sucessão de Juraci Magalhães (PMDB).
Nesse contexto, a cacicada petista bolou material de campanha com o mote “Sou PT, voto Inácio”, numa alusão ao também candidato Inácio Arruda (PCdoB).
Aí era o primeiro turno. No segundo, Luizianne virou para cima de Moroni Torgan (DEM), que superara Inácio na primeira votação.
CONSIDERAÇÕES
Há vários aspectos a considerar. O primeiríssimo é a enorme diferença entre Lula da primeira metade dos anos 2000 com o atual presidente – desgastado, para dizer pouco.
Segundo ponto: em 2002, José Airton, mesmo petista, não teve musculatura política para canalizar a força de Lula.
Agora, 24 anos depois, acontece o contrário: arquirrival do PT de Elmano, o PSDB de Ciro quer chupar os votos lulistas que, em tese, devem – ou deveriam -, ir para Elmano de Freitas (PT).
GRANDES DIFERENÇAS
Há grandes mudanças por que passaram PSDB e PT. O primeiro virou aliado do bolsonarismo; o segundo, o MDB da esquerda.
Em todo o caso, há a expectativa de que a dobradinha Lula-Ciro faça algum estrago na tentativa de reeleição do governador.
Mas, vamos aguardar. Como dito no início, vale muito menos o que pensam os estrategistas do que enxergam o eleitorado, vez por outra cansado de soluções criativas.
Boa terça.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

