
O candidato a governador do Estado, Ciro Gomes (PSDB), foi melhor do que o governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), no tema segurança, no debate realizado, na noite desta quinta-feira, 27, na região do Cariri. O petista ganhou o embate no quesito saúde.
Promovido pelo Grupo de Comunicação O Povo, o primeiro confronto verbal direto depois do início da campanha eleitoral, no último dia 16, ocorreu em Juazeiro do Norte e foi retransmitido por quase vinte emissores de rádio e TV do Interior do Estado.

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O concorrente do PSDB foi duro ao abordar o que chamou de ‘domínio de facções criminosas’ no território cearense. No ápice das críticas, Ciro citou Bebeto do Choró, personagem central e indigesto ao governo Elmano. Na defensiva, o candidato do PT nacionalizou o assunto e citou melhorias na área.
Por mais de uma vez, Elmano listou hospitais regionais – construídos, equipados e em funcionamento -, e tratamentos especializados no Interior do Estado, em contraste à ausência desse tipo de realização do governo Ciro, há mais de 30 anos – comparação injusta, diga-se.
Tanto o tucano sentiu o impacto que afirmou ter construído 20 hospitais municipais e tentou se associar à realização dos equipamentos erguidos nos últimos anos pelos governos Cid Gomes (2007-2014), Camilo Santana (2015-2022) e Elmano de Freitas.
EMPATE TÉCNICO
Até por serem as duas principais preocupações dos cearenses, combate à criminalidade e gargalos na saúde pública são os quesitos dignos de nota. As demais menções – geração de emprego, incentivos fiscais, reforma tributária e cuidados com jovens e idosos, entre outros -, não passaram do empate técnico.
Contudo, Ciro conseguiu, melhor do que Elmano, encaixar, várias vezes, propostas, logo após os diagnósticos críticos, ao passo que Elmano listou resultados e entregas de forma quase burocrática, com pouca pegada de futuro. Limitação, inclusive, já comentada aqui.
PROXIMIDADE
Na comunicação política, é clássica a estratégia de passar a ideia de que sente a dor do eleitor. Nesse ponto, Ciro foi melhor do que Elmano, ao se dirigir, diretamente, a supostos dramas pessoais nas áreas da segurança, saúde e economia.
A humanização no discurso costuma funcionar. Trata-se de um convite à percepção de que o candidato é ‘gente como a gente’. É o tipo de proximidade que cria conexão, engajamento e, provavelmente, voto. Ciro sobre equilibrar razão e sentimento.
Por outro lado, Elmano, como em regra candidatos à reeleição, priorizou a defesa da própria gestão, concentrando-se em apresentar dados. De novo. Números, por si só, não rendem voto. Isso precisa vir acompanhado de abordagens que façam sentido, no dia a dia, para o grande público.
A GRANDE VÍTIMA
No mais, o segundo debate entre Ciro e Elmano reforçou a constatação de que cada lado, com base em dados de estimação, tem um olhar muito diferente sobre os rumos do Ceará. Isso é ruim para Elmano.
Ao ser confrontado por Ciro, o governador tem um problema. Independentemente de estar falando a verdade ou mentindo – como acusa o candidato à reeleição -, Ciro lança dúvidas sobre dados oficiais.
E assim, vai-se reforçando o clichê de que em guerras e disputas eleitorais, a grande primeira vítima é a verdade.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

