
Rubênia Lauriza, a ‘Rubênia da Saúde’, é enfermeira auditora, gestora em saúde e candidata a deputada estadual pelo MDB-CE / Foto: Divulgação
Por Rubênia da Saúde
Sou enfermeira e conheço a saúde por diferentes perspectivas. Trabalhei na assistência ambulatorial, hospitalar e inclusive no SAMU. Fui enfermeira-auditora da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza e Cascavel, atuei como gerente de auditoria da Secretaria da Saúde do Ceará.
Participei durante duas gestões do Conselho Regional de Enfermagem, sendo uma delas como Diretora-tesoureira. Tive a oportunidade de conhecer muitas realidades em todo o estado do Ceará. Conheço o plantão, a gestão e as consequências de cada decisão tomada longe da realidade dos profissionais.
A pandemia expôs a visão míope da sociedade e da classe política sobre a enfermagem. Enquanto muitos permaneciam protegidos em casa, enfermeiros, técnicos e auxiliares continuavam nos hospitais, postos, UPAs e ambulâncias.
Os profissionais afastaram-se dos filhos e parceiros, enfrentaram a falta de equipamentos e trabalharam com medo de contaminar suas famílias.
O Conselho Federal de Enfermagem registrou 872 mortes de profissionais da categoria associadas à Covid-19. São famílias que perderam pessoas que saíram de casa para cuidar dos outros. Naquele momento, chamaram-nos de heróis.
Depois, os aplausos cessaram e permaneceram os baixos salários, as equipes incompletas e as jornadas exaustivas, e cada vez mais aumentando os casos de violência contra os profissionais de enfermagem em todo o Brasil.
A enfermagem não quer homenagens vazias. Quer respeito!
Na rede privada, a injustiça é ainda mais evidente. Grandes grupos hospitalares e operadoras crescem e movimentam valores elevados, enquanto profissionais acumulam empregos para sobreviver. Não sou contra o lucro legítimo, mas não aceito que ele seja construído sobre a exaustão de quem sustenta o atendimento.
Como gestora, aprendi que nenhuma planilha pode estar acima da segurança do paciente e da dignidade do trabalhador. Reduzir equipes pode parecer economia, mas aumenta a sobrecarga, o adoecimento e o risco de falhas.
A luta pelo piso salarial revelou a força dos interesses contrários à categoria. Mesmo aprovado pelo Congresso, o direito sofreu limitações.
No setor privado, o STF condicionou sua aplicação à negociação coletiva e adotou 44 horas semanais como referência para o valor integral. Na prática, uma conquista histórica foi relativizada.
Agora, durante as eleições, é preciso observar quem realmente esteve ao lado da saúde. Quem defendeu o piso? Quem lutou por condições dignas? Quem enfrentou a desinformação sobre as vacinas? Quem só aparece para pedir voto?
A democracia nos permite escolher em quem acreditamos e substituir quem não cumpre o que promete. A enfermagem cuida de todos, mas precisa aprender a usar sua força política para cuidar também dos próprios direitos.
Defender a categoria não é um discurso eleitoral para mim. É a continuidade de uma vida dedicada à saúde e à luta por quem cuida.
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