
Uma investigação da Polícia Federal aponta que uma negociação envolvendo empresas ligadas a projetos de energia solar no Ceará teria sido utilizada para transferir vantagens patrimoniais a uma empresa ligada à família do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
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Segundo os investigadores, a operação envolveu 30% da Green Investimentos, empresa que detinha participação indireta na Trinity Energias Renováveis.
A fatia foi adquirida pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, administrada pelo irmão do senador, Raimundo Nogueira, por R$ 1 milhão. Para a PF, porém, a participação teria valor proporcional estimado em aproximadamente R$ 13 milhões.
A estrutura empresarial estava relacionada a três usinas fotovoltaicas instaladas em Jaguaruana, no interior do Ceará. Os empreendimentos receberam, em 2023, cerca de R$ 17,2 milhões em financiamentos do Banco do Nordeste, com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O banco afirmou que as operações seguiram os procedimentos previstos nas normas aplicáveis.
A Polícia Federal também identificou mensagens entre Daniel Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do banqueiro. Os diálogos tratariam da escolha de uma estrutura societária capaz de permitir a distribuição de dividendos sem alterar diretamente a composição acionária da Trinity e sem expor os beneficiários da operação.
Em julho de 2024, a participação negociada teria gerado cerca de R$ 720 mil em dividendos para a empresa ligada à família de Ciro Nogueira.
A investigação também aponta mensagens relacionadas a repasses mensais de R$ 300 mil entre empresas associadas a Vorcaro e à CNLF, o que, segundo a PF, indicaria uma relação financeira mais ampla entre os envolvidos.
As apurações estão baseadas em documentos reunidos em procedimento que tramita no Supremo Tribunal Federal e cujo sigilo foi retirado em setembro de 2026.

