
O governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), e o principal adversário, Ciro Gomes (PSDB), confrontaram-se, nesta quarta-feira, 23, em pool de veículos, liderado pelo jornal O Povo, de Fortaleza.
O debate foi morno, com muita repetição de propostas, provocações e estratégias político-eleitorais – o que não significa, necessariamente, que foi ruim.

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Chamou a atenção, por exemplo, a insistência de Elmano em associar Ciro ao bolsonarismo. Foi o mantra do governdor, de ponta a ponta da discussão.
Na propaganda de rádio, TV e Internet, a Justiça Eleitoral mandou o petista retirar conteúdos do tipo e ainda impôs perda de tempo ao governador. Tais regras não alcançam debates eleitorais.
Em nível nacional, Lula e Bolsonaro estão, tecnicamente, empatados. No Ceará, porém, o presidente da República dá de goleada em Flávio, filho de Jair Bolsonaro – ambos são do PL que apoia Ciro.
Na média dos institutos de pesquisa, no Estado, Lula tem, no mínimo, o dobro das intenções de voto de Flávio.
Segundo pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 23, subiu de 58% para 75% a percepção do eleitorado cearense de que Elmano é o candidato de Lula.
Na trincheira oposicionista, a mesma sondagem mostra que saltou de 29% para 42% o conjunto de eleitores que apontam Ciro como candidato de Flávio.
Isso pode minar a dobradinha apócrifa e sumida “Cirula”.
Nesse sentido, foi acertada a linha de atuação de Elmano sobre Ciro no debate da noite desta quarta.
O governador pinçou áreas nas quais, segundo ele, o então governo Bolsonaro prejudicou o Ceará.
Tudo isso para chegarmos ao seguinte ponto: a polarização política nacional beneficiou Ciro, ao longo da pré-campanha, ao vinculá-lo a forças bolsonaristas que, somadas, poderiam derrotar o PT.
Com a campanha tracionando, no entanto, narrativas governistas cunharam diferenças conceituais muito claras entre as duas plataformas políticas.
Há alguns meses, avaliou-se que o eleitor cearense aceitou a aliança de Ciro com o bolsonarismo cearense por um objetivo maior: “Unir para Mudar”.
Num confronto direto, o projeto de reeleição de Elmano adotou “O Ceará Forte, do Lado Certo”. A primeira parte remete à atual gestão; a segunda é enfrentamento ao bolsonarismo.
Tudo somado, considerado e por mais curioso que possa parecer, a polarização que antes beneficiava Ciro, hoje o prejudica, ao mesmo tempo em que sorri para Elmano.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

