
O Congresso Nacional é formado por 513 deputados federais e 81 senadores. Segundo o Datafolha, 45% do eleitorado brasileiro não confia na instituição.
Outros 11% confiam muito e 43% confiam um pouco. O índice é igual ao captado em março deste ano. Mas já foi muito pior: 67% em junho de 2018.

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Para efeito comparativo, a imprensa – que também não está esse balaio todo -, tem 33% de falta de confiança entre os eleitores – recuo em relação aos 36% percebidos em março.
É justo destacar que os índices sobre a imagem do Congresso são globais. Individualmente, há muitos deputados e senadores dignos do mandato e merecedores de reeleição. Outros, nem tanto.
RENOVAÇÃO
Feita a ponderação, é importante lembrar que a desconfiança do brasileiro ajuda a explicar os altos índices de renovação das bancadas federais.
Há outros fatores, claro, que entram nessa contabilidade, a exemplo de improdutividade, irrelevância política, desconexão com bases eleitorais e corrupção, entre outros.
Mas há – sem trocadilho -, o outro lado da moeda. Deputados federais e senadores em mandato nunca tiveram tanto dinheiro para torrar na campanha eleitoral.
Em abril, analisamos aqui como o exponencial aumento de emendas impositivas para 2026 poderá pavimentar a reeleição de muitos congressistas – e dificultar a tentativa de eleição de candidatos novatos.
R$ 52 BILHÕES
Tudo somado – emendas individuais, de bancada e de comissão -, a montanha de dinheiro público chega a R$ 52 bilhões, valor superior a PIBs de muitos estados brasileiros.
Oficialmente, a maior parte dos recursos é destinada à saúde, assistência social e infraestrutura – exatamente as tradicionais áreas de forte apelos político e eleitoral.
Tudo isso, sem nem considerarmos os quase R$ 5 bilhões do fundo eleitoral para os partidos políticos, aprovado pelo Congresso no ano passado.
Já se vislumbra esta corrida eleitoral para o Congresso como a mais cara da história. Especulações sobre quanto um candidato está gastando, em média – por dentro e por fora -, é de cair o queixo.
RISCOS À DEMOCRACIA
O panorama acima é duplamente perigoso para a democracia brasileira – particularmente, nestes tempos vividos.
Em primeiro lugar, porque 45% de falta de confiança no Congresso Nacional – símbolo maior da democracia do País -, é um risco corrosivo em si.
Depois, porque é uma lástima política percebermos que muitos congressistas não merecem seguir em mandato, mas seguirão, por força do dinheiro.
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

