
A chamada renovação na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 deverá ser uma das menores da história – e o principal motivo não é, exatamente, a qualidade dos parlamentares.
Consultores e analistas políticos com quem a Coluna conversou apontam as emendas impositivas como principal cabo eleitoral dos atuais mandatários.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Cada vez mais altivo, o Congresso Nacional impôs, gradualmente, nas últimas legislaturas, regras mais duras ao Executivo em relação ao Orçamento da União. Continua depois da publicidade
Para 2026, estão previstos até R$ 52 bilhões em emendas impositivas – quando somadas as individuais, de bancada e de comissão.
Este ano, a execução de 65% deve acontecer até 4 de julho – nas biqueiras da campanha eleitoral -, a depender da capacidade fiscal do governo.
Apelo eleitoral
A maior parte dos recursos é destinada à saúde, assistência social e infraestrutura – exatamente as tradicionais áreas de forte apelos político e eleitoral.
O aumento no volume de verbas públicas que chegam a municípios e gestões estaduais apadrinhadas por deputados e senadores é, proporcionalmente, inverso às taxas de renovação no Congresso.
Em 2022, chegou a 39,38% o índice de renovação na Câmara, ante 47,37% da eleição anterior (2018). Interlocutores da Coluna projetam para 2026 um patamar abaixo de 25%.
Veja o histórico desde a redemocratização

Ou seja, quem for disputar mais quatro anos em Brasília já parte com dinheiro público para, indiretamente, bancar a campanha eleitoral.
Escamoteado, esse debate mexe na relação entre os Poderes da República e, no limite, com a noção de democracia, já que diz respeito a um de seus princípios, a rotatividade entre poderosos.
Acordos com prefeitos
Isso explica muito dos acordos entre prefeitos e deputados federais, assim como da contabilidade eleitoral de muitos pré-candidatos. Daí por que é mais ou menos palpável o potencial de votos de cada um.
Na outra ponta, o cenário é uma má notícia para os novatos – aqui entendidos como políticos sem relação com os conhecidos esquemas partidários e familiares na mera substituição de nomes. Continua depois da publicidade
Aqui não estamos considerando os quase R$ 5 bilhões do fundo eleitoral para os partidos políticos, aprovado pelo Congresso no ano passado. Mas isso já é outra história.
Messias, STF e oposição
A expectativa desta quarta-feira, 29, é a sabatina e posteriores votações na CCJ e Plenário do Senado do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Tratamos do assunto nesta terça-feira, 28.
A indicação é prerrogativa do presidente da República. A oposição ao presidente Lula (PT) na Casa faz barricada para tentar barrar o encaminhamento.
São senadores do mesmo grupo que jogou confete e aplaudiu os dois indicados à Corte pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), Nunes Marques (2020) e André Mendonça (2021).
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

