
Desta segunda-feira, 5, a exatas três semanas, o Brasil terá eleito o presidente da República que tomará posse do mandato no dia 1º de janeiro de 2027.
Reeleito neste domingo, 4, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), mais do que precisará – o petista dependerá muito de mais quatro anos de Lula no Palácio do Planalto.

Quem é Erivaldo Carvalho
Siga o Poder News no Instagram
Elmano fará um governo com Lula reeleito. Outro, muito diferente, para pior, será com Flávio Bolsonaro (PL) na Presidência da República.
Próximo do que parece ser o fechamento de um ciclo político, o PT tem uma forte tempestade já formada no horizonte. Há uma ladeira íngreme à frente.
Os fartos motivos estão no novo mapa político do País, que emergiu da apuração da última noite. Nunca na história deste País o lulismo saiu das urnas tão fragilizado.
A liderança de Flávio no primeiro turno e o avanço da direita no Senado são apenas alguns dos pontos mais visíveis do grande desafio do PT e aliados, na votação do próximo dia 25.
Detalhe cruel para os petistas: desde a redemocratização, todos os presidenciáveis que ganharam o primeiro turno conquistaram, no segundo, o direito à faixa presidencial.
Sabemos como, na prática, o poder funciona, quando está diante de aliados ou adversários, em cenários tão esgarçados. A institucionalidade, de lado a lado, vira apenas retórica e formalidade – quando há.
Isso serve para a nova gestão estadual do PT, para os vitoriosos ao Senado, Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede), e deputados eleitos e não eleitos.
O raciocínio é simples. Sem Lula, dezenas de estruturas federais, principalmente ministérios, irão para as mãos dos adversários – inclusive, no Ceará.
Nesse cenário hipotético, por aqui, o Palácio da Abolição viverá a pão de ontem e água salobra – sem agenda, sem projetos, sem apoio, sem dinheiro.
Não há tempo para descanso. A campanha do segundo turno começou com a totalização dos votos do primeiro. E aqui está o grande desafio de Elmano e principais aliados: não deixar ninguém dispersar.
Férias em família no Exterior e outros sumiços podem esperar.
NOTAS RÁPIDAS
Há várias camadas a serem analisadas, a partir dos resultados das urnas deste domingo, 4. Fá-lo-emos nas próximas edições da Coluna. Por ora, uns aperitivos.
Ciro de pijama – há alguns dias, aqui foi dito que Ciro Gomes (PSDB) retornaria à política nacional ou se aposentaria. Ajustando o verbo: o candidato derrotado ao governo não se aposentou. Foi aposentado.
Cirula na urna – Lula tirou 66,17% dos votos no Ceará, Flávio 28,53%, mas Ciro obteve 46,22%. Ou seja, muitos eleitores levaram a colinha Ciro-Lula. O PT precisa acalentar esses órfãos ciristas.
Branca e Rosada – os presidentes Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina) acompanharão com lupa o segundo turno no Brasil. Ambos torcem por Flávio.
Volta por cima – enquanto a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (Rede), foi eleita para o Senado, os sucessores Roberto Cláudio (União Brasil) e José Sarto (PSDB) perderam as eleições.
Congresso Nacional – ministros do STF devem ter dormido pouco de ontem para hoje. Se Flávio for eleito presidente da República, são grandes as chances de impeachment e anistia entrarem em pauta.
Brasília e nós – os 22 deputados federais eleitos e reeleitos pelo Ceará sempre trazem esperança de melhor representação dos cearenses em Brasília. Até porque piorar é quase impossível.
Mesa da Alece – ainda sob o calor do resultado das urnas, os 46 deputados estaduais eleitos e reeleitos no Ceará já sondam e são sondados sobre a composição da próxima Mesa Diretora da Assembleia.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


