
Com o avanço do fenômeno “super El Niño”, as prefeituras de Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro adotaram estratégias baseadas em ciência de dados para proteger a população contra ondas de calor extremo.
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As capitais integram medições de temperatura por bairro, histórico assistencial de saúde e modelos meteorológicos preditivos para direcionar ações preventivas e socorro rápido aos territórios mais vulneráveis.
A urgência das medidas é corroborada por estimativas do Climate Impact Lab, que projeta 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor no Brasil entre setembro e fevereiro — de um total global de 451 mil óbitos previstos para o período.
O estresse térmico afeta a população de forma desigual, agravando quadros pré-existentes como doenças cardiovasculares, diabetes e enfermidades crônicas em áreas com menor cobertura vegetal e moradias precárias.
Para alinhar os protocolos e trocar tecnologias, equipes técnicas das três cidades participam de um encontro presencial no Rio de Janeiro, promovido pela Parceria para Cidades Saudáveis (iniciativa apoiada pela Bloomberg Philanthropies, OMS e Vital Strategies).
ESTRATÉGIAS LOCAIS DE ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA
- Fortaleza: A capital cearense aposta no Observatório de Riscos Climáticos, plataforma geográfica lançada na COP 30 que processa informações de uma rede de estações meteorológicas em tempo real. A cidade instituiu o Comitê de Enfrentamento aos Impactos do El Niño (COE El Niño) e um Protocolo de Calor e Saúde dividido em cinco níveis de risco. As diretrizes orientam planos de contingência municipais voltados ao acolhimento de idosos, crianças, cardiopatas e animais de estimação.
- São Paulo: Por meio do programa SampaAdapta, a gestão paulistana mapeia a exposição ao calor quadra a quadra. Foram instalados 25 sensores internos e externos em edificações, comércios e escolas espalhados por cinco regiões estratégicas. A iniciativa conta com os “Guardiões dos Sensores Climáticos” — moradores locais encarregados de acompanhar a coleta dos dados. As medições subsidiam a criação da primeira rede pública de abrigos climáticos em parques e equipamentos municipais, tendo o Parque Benemérito Brás como projeto-piloto.
- Rio de Janeiro: O município centralizou suas ações no Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE), que cruza relatórios do Centro de Operações Rio (COR) com a demanda dos postos de saúde e hospitais. O Painel de Calor aciona automaticamente o Protocolo de Resposta ao Calor Extremo da prefeitura conforme a gravidade dos indicadores meteorológicos e epidemiológicos, permitindo que as equipes de saúde e a operação da cidade reajam em tempo real às emergências climáticas.


