
Não. Não é sobre o clássico livro do antropólogo e professor Roberto da Matta. É a respeito do polêmico desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula (PT).
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Quem é Erivaldo Carvalho
Previsto para este domingo, 15, o enredo abrirá a apresentação do grupo especial do Rio de Janeiro. A letra cita o número do PT, slogans eleitorais e, indiretamente, ridiculariza Bolsonaro.
Mesmo assim, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou a iniciativa, sob o argumento de evitar censura prévia. Mas advertiu que excessos terão consequências.
Especialistas em direito eleitoral estão divididos. Há quem considere campanha antecipada do presidente e pré-candidato à reeleição; há quem defenda, via liberdade de expressão e cultural.
É clara a tentativa de influenciar o eleitor Brasil afora, num jogo de simpatia eleitoral baseada em enredo adulatório. Mas o TSE acertou na decisão.
A questão será o depois, quando – provavelmente, teremos -, questionamentos da oposição. É aqui onde residem os riscos eleitorais. Mas esse samba é conhecido.
Nas eleições presidenciais passadas, o então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), foi multado em R$ 5 milhões pela realização de uma motociata em abril.
Eis o ponto. Campanhas multimilionárias veem em multas aplicadas pela Justiça Eleitoral um custo benefício que vale a pena, diante dos aparentes dividendos competitivos.
É muito provável que esse seja o caso do desfile no Rio deste ano.
Certamente haverá exageros, beirando o pedido explícito de voto – e a pré-campanha lulista terá, no máximo, de passar um Pix.
A oposição, por óbvio, vai pedir a inelegibilidade de Lula – o que, salvo alguma estupidez política cometida neste domingo, será negada.
Para registro: corre nos bastidores, alimentada pela direita bolsonarista, uma tese de que a inegebilidade de Lula, diante da ameaça de derrota em outubro, seria uma saída honrosa.
Essa teoria é uma grande bobagem. Nesse episódio, o bolsonarismo funciona melhor com memes, letras e vídeos feitos por IA, ironizando o desfile da Acadêmicos e detonando Lula.
PT já foi contra
Há exatos 20 anos, o partido de Lula entrou na Justiça contra a escola Leandro de Itaquera, em São Paulo, por homenagem aos então prefeito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e governador José Serra.
À época no PSDB, ambos disputavam, internamente, a candidatura no partido que enfrentaria Lula.
O petista foi reeleito para o segundo mandato, contra Alckmin – atual vice-presidente e ministro de Lula.
Ou seja e voltando ao Da Matta: a política brasileira é cheia de malandos e heróis – a diferença entre um e outro é apenas a bolha à qual você pertence.
Bom sábado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

