
No último sábado, 14, aqui foi dito que o desfile no Rio de Janeiro, em que a Escola de Samba Acadêmicos de Niterói homenagearia o presidente Lula (PT), poderia render consequências.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Não deu outra. A oposição anunciou ação na Justiça Eleitoral contra o desfile que exaltou o petista e ridicularizou o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).
Pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro cita “crime eleitoral”. Não chega a tanto.
De qualquer forma, o barulho pode desgastar o já desgastado Lula – pré-candidato à reeleição.
Se muito, o TSE pode aplicar multa à escola e/ou ao chefe do Palácio do Planalto. Até aqui, não se vislumbra decisão da Justiça pela inelegibilidade.
Conforme dito na Coluna de sábado, há tese entre bolsonaristas de que impedir Lula de disputar as eleições de outubro seria uma saída honronsa para o petista, diante da suposta iminente derrota.
Perder pra quem? Para uma oposição esfarelada, sem nome consolidado e que até agora não diz o que colocaria no lugar do – embora questionável -, lulismo?
Voltando ao Carnaval. Fizemos a seguinte advertência:
“A oposição, por óbvio, vai pedir a inelegibilidade de Lula – o que, salvo alguma estupidez política cometida neste domingo, será negada”.
Pois foi o que aconteceu. A Acadêmicos levou à Marquês de Sapucaí ala com “neoconservadores em conserva”.
A alegoria mostrou, segundo a própria escola, “um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, incluindo evangélicos, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele”.
Ou seja, alfinetadas e mais alfinetadas na família tradicional brasileira.
Reação conservadora
Pelo menos três notas já foram publicadas, até o meio-dia desta Quarta-Feira de Cinzas: Arquidiocese do Rio de Janeiro, OAB-RJ e Frente Católica na Câmara dos Deputados.
Como prova de que a polarização política invandiu a passarela do samba, outras manifestações devem acontecer nos próximos dias.
Em linhas gerais, os órgãos conservadores defendem valores cristãos e respeito à separação entre liberdades cultural e religiosa.
Assinada pelo deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), a Frente Parlamentar vai além.
O parlamentar afirma que “exigirá providências e a atuação dos órgãos competentes para a devida apuração dos fatos e eventual responsabilização, caso confirmadas irregularidades”.
Opiniões divididas
No mais, seguem divididas as avaliações sobre ganhos e perdas políticas. Há opinião para todos os gostos e bolhas – e para além delas.
O enredo pró-Lula teria sido cantado para convertidos. Sob alerta do TSE, houve contenção da euforia e cuidados redobrados.
E há os que imaginam que Flávio contabilizou alguma vantagem. Ele foi às redes instigar o estratégico eleitor de centro.
Há muitos outros argumentos, de lado a lado, que de tão conhecidos e rasos nem valem a pena ser mencionados.
O fato é que ninguém sabe, efetivamente, quem vai levar a melhor na mais nova polêmica deste 2026 eleitoral.
O Carnaval de 2027 é que vai dizer.
Boa Quaresma.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

