
O recuo do governador Elmano de Freitas (PT), nesta segunda-feira, 2, negando que já estariam definidos os nomes para o Senado, evidencia o forte jogo de pressão na base aliada.
Mostra, também, que há no horizonte o sério risco de o quarto ano de mandato do governador ser engolido pelas disputas intestinas que rondam o Palácio da Abolição.

Quem é Erivaldo Carvalho
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No último sábado, 28, Elmano foi a um evento do MDB, cujo controlador, Eunício Oliveira, é pré-candidato ao Senado. O governador fez eloquente defesa do emedebista.
No dia anterior, sexta-feira, 27, na sede do governo do Estado, o petista recebeu o senador Cid Gomes (PSB), que repetidas vezes defende, para a cadeira ocupada por ele, o nome do deputado federal Júnior Mano (PSB).
“Lá para junho, julho”
Pois bem. Nesta segunda-feira, 2, o governador disse que não tem nada definido. “Chapa majoritária é lá para junho, julho”, declarou, quando questionado sobre a corrida ao Senado entre apoiadores.
O “lançamento” de Eunício por Elmano ao Senado provocou mal-estar no PT estadual. No mesmo sábado dos confetes ao emedebista, Guimarães recebeu maciço apoio na região do Cariri.
Além de Eunício, Mano e Guimarães, o governador citou um quarto pretendente: Chiquinho Feitosa, do Republicanos – a direção nacional do partido vem se queixando de acordos não cumpridos.
Sem entrar no mérito dos pré-candidatos ao Senado, ou se prestigia todos os pretendentes mais relevantes ou se mantém equidistância. Isso é o correto a ser feito, politicamente.
Calendário eleitoral
Mais do que natural, é legítimo que partidos e grupos tentem viabilizar seus nomes e interesses. É para isso que serve o período de articulações que antecedem a campanha eleitoral.
Mas errar o timing pode comprometer o decisivo ano, no qual o governo do Estado quer e precisa acelerar entregas à população, para daí se cacifar perante o eleitorado, em outubro.
Em regra, vem do próprio governo a estratégia de tentar controlar o calendário eleitoral, adiando ao máximo conversas sobre sucessão.
Parece, entretanto, que esse controle do processo deixou de existir – se existiu. Os próprios aliados estão encurtando o mandato de Elmano. E ainda estamos no início de março.
Antecipar debates e escolhas é papel da oposição – ao governo cabe otimizar os meses que restam até as limitações impostas pela Justiça Eleitoral.
Nesse tocante, o governador e aliados precisam fazer a parte deles. Não dá para se lançar um aliado ao Senado no sábado e desmentir a si mesmo dois dias depois.
A oposição, por óbvio, comemora os desentendimentos na base. Como afirma um interlocutor da Coluna, não se deve lamentar erros de adversários.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

