
A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um orçamento mínimo para o Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
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O texto recebeu amplo apoio parlamentar, com 464 votos favoráveis, sinalizando uma tentativa de dar estabilidade financeira à rede de proteção social do país.
Atualmente, a votação em segundo turno aguarda desdobramentos após um pedido de adiamento por parte do governo federal.
A equipe econômica busca avaliar com maior precisão o impacto fiscal da medida, que é estimado em R$ 36 bilhões ao longo dos primeiros quatro anos após a sua promulgação.
A proposta determina que a União, os estados e os municípios destinem, anualmente, pelo menos 1% de suas Receitas Correntes Líquidas (RCL) para a assistência social.
Para o governo federal, o texto prevê uma transição gradual, começando com um investimento de 0,3% no primeiro ano até atingir o piso definitivo no quarto ano.
Um ponto fundamental da nova regra é que os recursos vinculados não poderão ser utilizados para o pagamento de benefícios de transferência de renda, como o Bolsa Família ou o BPC.
O foco exclusivo deverá ser o financiamento de serviços de proteção social básica e especial, como o funcionamento de abrigos, CRAS e CREAS.
O relator da PEC, deputado André Figueiredo (PDT), argumenta que a medida transforma o SUAS em uma política de Estado permanente.
Segundo o parlamentar, a vinculação orçamentária retira a assistência social da dependência de decisões políticas momentâneas, garantindo estrutura e previsibilidade para o atendimento aos vulneráveis.
No Ceará, a Associação dos Municípios (Aprece) vê a proposta como uma forma de corrigir um desequilíbrio histórico, já que hoje as prefeituras bancam até 95% dos programas locais.
O reforço no aporte federal deve dar fôlego financeiro especialmente para cidades pequenas, que sofrem para manter equipes e estruturas de atendimento.
Apesar do apoio político, a proposta gera debates entre economistas devido ao risco de maior “engessamento” do orçamento público.
Para a professora Alessandra Benevides, da UFC, a obrigação de gasto por si só não garante eficiência, sendo necessário um planejamento robusto com indicadores de desempenho para medir o impacto real na vida da população.
Por outro lado, pesquisadores como João Mário de França (FGV) avaliam que a estabilidade no financiamento evita o sucateamento de serviços essenciais durante crises fiscais.
Para ele, o piso protege a assistência social de ser negligenciada em favor de áreas que já possuem vinculações constitucionais, como saúde e educação.

