
Por Afrânio Nascimento
A crescente complexidade das demandas em saúde evidencia a insuficiência de modelos formativos centrados em práticas uniprofissionais, ainda predominantes na formação em saúde no Brasil.
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Tal configuração compromete a consolidação do cuidado integral no Sistema Único de Saúde (SUS), ao limitar a articulação entre saberes necessários à atenção às necessidades dos usuários.
As Diretrizes Curriculares Nacionais, orientadas pelo Ministério da Educação, estabelecem a necessidade de uma formação generalista, crítica e voltada ao trabalho em equipe, com ênfase na integralidade e na humanização do cuidado.
Nesse contexto, a interprofissionalidade constitui não apenas uma estratégia pedagógica, mas uma exigência estrutural para a qualificação da formação em saúde.
A educação interprofissional possibilita o desenvolvimento de competências colaborativas essenciais à prática no SUS, ao reconhecer que o cuidado em saúde é, por natureza, multidimensional e dependente da articulação entre diferentes áreas do conhecimento.
Entretanto, sua implementação permanece limitada por currículos fragmentados, resistência institucional e manutenção de modelos pedagógicos tradicionais, ainda distantes das necessidades contemporâneas do sistema de saúde.
Esse distanciamento revela uma contradição central: enquanto o SUS se organiza a partir da integralidade do cuidado, a formação profissional ainda opera sob lógica disciplinar.
Como consequência, a interprofissionalidade permanece subutilizada, reduzindo seu potencial transformador na qualificação das práticas em saúde.
Assim, fortalecer a interprofissionalidade na formação em saúde é condição essencial para superar a fragmentação do cuidado e garantir maior resolutividade, segurança e integralidade no SUS.
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