
Na Coluna do último sábado, 2, aqui foram explicitados alguns fatores que podem fazer do governador Elmano de Freitas (PT) o candidato certo contra o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
Um atento interlocutor da Coluna enviou interessante colaboração: uma análise do colunista de política Igor Maciel, do influente Sistema Jornal do Comércio de Comunicação, do vizinho Pernambuco.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Publicado no dia anterior, sexta-feira, 1º, o texto de Maciel pinça a extraordinária derrota do presidente Lula (PT) no Senado, na frustrada indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Para o analista, situações do tipo são terreno fértil para radicalizações. Essa é a fórmula da vez no Palácio do Planalto – desde que Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) deu um canto de carroceria em Lula.
“É assim que nasce muita estupidez. Porque o passional assume o controle e descontrola tudo”, escreve o jornalista. “Não deve acontecer essa guinada à esquerda radical no governo Lula”, defende.
E, depois, explica: “Porque seria um erro colossal de matemática básica. E sem matemática, ao menos básica, não se vence eleição”.
No Ceará tem disso
O que isso tem a ver com o Ceará? Só tudo. O próprio Igor Maciel relaciona o cenário brasileiro com o cearense, em que Elmano, Ciro e o ministro Camilo Santana (PT) protagonizam triângulo político.
Assim como aqui, no grupo de comunicação de Pernambuco foi citada a última pesquisa Quaest, em que Ciro aparece à frente de Elmano e atrás de Camilo, nas intenções de voto.
“Foi o suficiente para uma avalanche de certezas sobre a necessidade de trocar o candidato, impedir o atual governador de disputar a reeleição e habilitar Santana como salvador do PT cearense”, escreveu o colunista.
Prossegue: “Uma sandice, porque os analistas de lá fecharam os olhos para todos os outros números que mostram boa aprovação do incumbente e baixa adesão da população à ideia de mudança”.
E arremata: “Ciro Gomes, mesmo liderando, é quem deveria estar preocupado”.
Feito na Bahia
O jornalista também cita o cenário da Bahia, em que ACM Neto (União) lidera, embora com margem apertada, contra o atual do governador e pré-candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT).
Lá também há um zum zum zum sobre trocar o governador petista, num açodamento muito parecido com o que é cogitado por aqui.
“Não faz nenhum sentido. Jerônimo é bem avaliado e está numa tendência de subida. Na Bahia, ACM Neto é quem deveria estar preocupado”, compara o colunista. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Chimarrão petista
Na edição do último 27 de março, esta Coluna lembrou o que aconteceu no Rio Grande do Sul, nas eleições de 2002. Olívio Dutra era governador e pré-candidato à reeleição.
Resumindo, o PT tirou-lhe o direito de concorrer e entregou a candidatura a Tarso Genro (PT) – o que desencadeou guerrilhas intestinais.
Tarso foi para o segundo turno contra Germano Rigotto (MDB), que seria eleito governador. Foi tchau e bênção para o PT-RS.
Descendo a ladeira
Igor Maciel também faz uma boa comparação do tipo – só que com Recife, em 2012. O mesmo filme: João da Costa (PT) era prefeito, mas o partido preferiu trocá-lo. Entrou Humberto Costa (PT).
“O PT perdeu aquela eleição para Geraldo Julio (PSB) e nunca mais recuperou o comando da capital. Já se vão 14 anos”, lembra.
Percebem? O PT do Rio Grande do Sul e do Recife, mesmo em contextos muito diferentes, em termos geográficos, políticos e até históricos, colheram o mesmo desastre.
Por que no Ceará e na Bahia os resultados seriam diferentes?

