
Decisão de voto não é racional. É sentimental, emocional e simbólico que, quando bem alinhados, formam movimentos políticos, cujas ondas costumam atropelar adversários com tabelas excel na mão.
A ideia geral acima não escolhe ideologia nem cor partidária. A história política está cheia de exemplos do tipo. No Brasil, já aconteceu à esquerda e à direita, tanto no plano nacional quanto local.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Esse embrião pôde ser visto no último final de semana, no Conjunto Ceará, onde o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) foi lançado, oficialmente, pré-candidato ao governo do Estado. Vejamos.
Pode-se dizer que o ato político que lotou o ginásio do Centro Educacional Evandro Ayres de Moura foi dividido em dois momentos: exibição de vídeos gravados por aliados, seguidos pelas falas do decano Tasso Jereissati e do próprio Ciro.
Para tocar o coração
Todos os depoimentos e discursos foram contextualizados em palavras-chave que buscavam tocar o coração – como já dito acima, onde nasce o gatilho a ser puxado na hora de escolher os números na urna eletrônica.
A Coluna extraiu os termos. Nos vídeos, foram explorados “medo”, “humilhação”, “pobreza”, “abandono” e “dor”. Também foram mencionados “esperança”, “alívio”, “amor”, “reencontro”, “sonho”, “luta”, “honra” e “orgulho”.
Nem precisa dizer que estes conceitos foram ditos em relação ao suposto controle de territórios por fações criminosas – a espinha-dorsal da retórica cirista, que se apresenta com o arquétipo do herói salvador.
Maniqueísmos à parte, a conhecida fórmula costuma funcionar. É uma espécie de coringa em falas políticas em público, como foi o caso deste sábado, 16. Anotem: será um dos mantras da futura campanha de Ciro.
Também foram ouvidas as palavras “união”, “grandeza”, “dedicação”, “credibilidade”, “experiência”, “coragem” e “determinação”, assim como “mudança” e “reconstrução”.
Ou seja, a ideia de resgate do Estado. “O Ceará sempre primeiro”, como diziam grandes banners que paramentavam o ginásio da escola.
Tasso: “ligação emocional”
Nos arremates, Tasso cravou a “ligação emocional” do cearense com Ciro. Por fim, o pré-candidato a governador martelou o binômio “gratidão e lealdade”, com recados diretos e indiretos a quem interessar possa.
Junte-se a isso a escolha do Conjunto Ceará, apontado como resgaste da histórica vitória de Ciro para prefeito de Fortaleza, nos longínquos anos 1980. Foi um apelo à memória coletiva, com potencial efeito intergeracional positivo.
Não será surpresa se a estratégia dos campos semânticos, usada por Ciro no lançamento da pré-campanha, tiver sido orientação do marquetólogo (não marqueteiro) João Santana (ex-campanha de Lula).
Para sermos justos, também foram citados alguns números sobre a gestão do governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT). Mas, com honrosas exceções – que somente justificam a regra -, não é isso o que cria laços com o eleitor.
Balancete não define
Assim como na vida, na política não se combate narrativas sentimentais apresentando balancetes de firma, destes que aparecem no final do mês.
Esse é um dos mais conhecidos erros de campanhas eleitorais. Sempre desconfie de quem tentar colocar apenas isso no centro da conversa.
Os famosos resultados e entregas de governo fazem parte e até ajudam. Mas não mobilizam. Portanto, funcionam, mas não resolvem.
De novo. Prestar contas é preciso, mas isso não vai com o eleitor para a cabina de votação.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


