
A decisão do governo Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas impactará, profundamente, as eleições gerais de outubro próximo.
Contrário à decisão, o governo do presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz que a medida interfere na soberania brasileira; a oposição diz que o petista defende criminosos.

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Há muitos outros desdobramentos, tanto criminais quanto econômicos. Vamos nos ater, por enquanto, aos aspectos políticos. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
De maneira geral, a esquerda sempre foi associada à defesa dos direitos humanos e processo legal – inclusive para quem comete crimes. Para a direita, bandido bom é bandido morto.
Ao longo das últimas duas décadas, PCC e CV profissionalizaram processos, expandiram os negócios e chegaram ao topo da cadeia alimentar – inclusive em Brasília e Faria Lima.
MULTINACIONAIS DO CRIME
Sob a vista grossa dos governos de centro-esquerda – inclusive, no Ceará -, facções criminosas transformaram-se em multinacionais do crime e passaram a fazer parte do violento cotidiano das pessoas.
Aqui entra o fundamental nesse debate, começando por uma pergunta básica:
Vai adiantar mais homens, mais viaturas e mais armas, se os poderes não atuarem com a mão forte e pesada do Estado para desconstruir o PCC e o CV?
O nível desse combate parece estar bem acima de contingente policial, que sempre rende boas fotos.
A nosso ver, é preciso engenharia de muitos órgãos, em vários níveis e feita a várias mãos, com sufocamento financeiro, vigilância fiscal, monitoramento aeroportuário e, por que não, colaboração internacional.
FLÁVIO E OS MILICIANOS
Há uma narrativa na praça, lançada pela oposição, apontando para a libertação do povo brasileiro e cearense do julgo das facções criminosas – doravante grupos terroristas, pela nova doutrina Trump.
Já é visível o efeito positivo da decisão sobre a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), até então nas cordas, por envolvimento com Daniel Vorcaro/Banco Master.
Vale lembrar que o Flávio que está tirando proveito da decisão da Casa Branca é o mesmo que já homenageou miliciano.
O GRANDE DESAFIO
Por aqui, a oposição também deverá se beneficiar, haja visto o discurso dos principais aliados do pré-candidato a governador Ciro Gomes (PSDB), abrigados no PL e União Brasil. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Há um clichê na comunicação, segundo o qual interessa muito mais como o público recebe a informação do que o propriamente dito.
Eis o grande desafio do presidente Lula e do governador e pré-candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT): deixar claro que é intransigente contra criminosos, independentemente de sua rotulação.
Vai ser desafiador para a comunicação dos governos federal e estadual colocar no mesmo envelope o efetivo combate ao crime organizado e a defesa da soberania nacional.
A propósito, a expressão que virou mantra no atual governo Lula já não tem o mesmo impacto de quando foi lançada. Retórica bombril tem disso.
A menor faísca de dúvida no discurso governista que possa ser interpretada como conivência ou leniência será prontamente explorada, eleitoralmente, pela oposição.
Com o perdão do trocadilho, será um tiro certeiro.
Bom sábado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


